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O que Cuca mudou na defesa do São Paulo e pouca gente percebeu

Arboleda, zagueiro do São Paulo, em ação contra o Palmeiras - Alan Morici/AGIF
Arboleda, zagueiro do São Paulo, em ação contra o Palmeiras Imagem: Alan Morici/AGIF
do UOL

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo

19/07/2019 14h00

A zaga do São Paulo está diferente neste segundo semestre de 2019. Mas, ao contrário do que se esperava, Robert Arboleda não foi vendido e segue formando dupla com Bruno Alves. Então, o que mudou? O UOL Esporte identificou a alteração feita por Cuca e agora explica essa mudança sutil no Tricolor.

A troca é simples à primeira vista, embora tenha sido motivada por razões mais complexas que serão apresentadas abaixo: os dois zagueiros trocaram de lado. Arboleda, desde que chegou ao clube do Morumbi, em junho de 2017, sempre atuou pela direita da defesa, mas agora tem sido usado na esquerda. Bruno Alves, que vinha atuando pela esquerda desde que se firmou como titular, agora fica no lado direito.

Marcello Zambrana/AGIF
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

A pergunta seguinte sobre o assunto é: o que Cuca pretende com essa mudança?

O técnico quer fazer com que o São Paulo tenha mais paciência para construir as jogadas desde a defesa, evitando chutões. Nessa tentativa, identificou uma dificuldade maior na saída de bola pela direita, principalmente quando Hudson atua improvisado na lateral. Nem o volante e nem Arboleda têm características de construção. Ou seja, apresentam dificuldades para encaixar passes mais verticais, que ajudam o time a avançar em campo e quebrar as linhas de marcação do adversário.

Com a troca, Cuca tenta minimizar essa dificuldade. Bruno Alves tem mais capacidade de passe, então pode compensar o que Hudson muitas vezes não entrega - não à toa, iniciou a jogada do gol de Pablo contra o Palmeiras no último fim de semana. Na esquerda, Reinaldo já é mais "construtor" e pode compensar a dificuldade de Arboleda na saída de bola.

É importante dizer que isso não é novidade para nenhum dos dois zagueiros, entretanto. Quando defendia a Universidad Católica de Quito, do Equador, Arboleda jogava com mais frequência pela esquerda. Na seleção equatoriana, idem. E Bruno Alves viveu os melhores momentos pelo São Paulo justamente pela direita, como nas quartas de final do Campeonato Paulista, quando formou dupla com Anderson Martins. Até o ano passado, quando fazia parceria com Rodrigo Caio, também passava para a direita.

Os volantes também fazem parte dessa nova estratégia de Cuca. Luan cai mais pela direita para apoiar a saída, enquanto Tchê Tchê fica na esquerda. Eles são importantes também para proteger as costas de Antony e Alexandre Pato, que ainda se adaptam à necessidade de recomposição mais rápida já que o São Paulo tenta jogar mais adiantado em campo.

O primeiro teste de fogo para essas mudanças, implantadas ainda durante a Copa América, aconteceu no sábado passado, no clássico contra o Palmeiras no Morumbi. A defesa fez um bom primeiro tempo, mas mostrou certa instabilidade no segundo. Cuca tem trabalhado para corrigir problemas do Choque-Rei e deve manter a aposta para o jogo de segunda-feira, às 20h, contra a Chapecoense, novamente no Morumbi, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro.

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