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Futebol feminino italiano luta por melhorias após a Copa

16/07/2019 14h23

SÃO PAULO, 16 JUL (ANSA) - Por Renan Tanandone - A Itália fez uma sólida campanha na última edição da Copa do Mundo feminina, na França, chegando até às quartas de final do torneio. Apesar do apoio da torcida e da alta audiência dos jogos da Azzurra ao longo da competição, a realidade das atletas do país europeu é outra e elas vêm lutando por melhorias na categoria.   


Após a eliminação das italianas no Mundial, diante da Holanda, a técnica Milena Bertolini aproveitou o momento para pedir mais "profissionalização e oportunidades" para as jogadoras. A comandante de 53 anos ainda aposta que a exibição do país na Copa trará boas novidades para a modalidade.   


O futebol feminino italiano ganhou mais visibilidade e investimento após as entradas de clubes do primeiro escalão nacional na categoria, como Juventus, Hellas Verona, Atalanta, Sassuolo, Fiorentina, Milan e Roma.   


A Velha Senhora e a Viola protagonizaram o primeiro jogo de mulheres no Allianz Stadium e ainda bateram o recorde de público no esporte, com 39 mil pessoas assistindo a vitória da Juve por 1 a 0.   


A adesão de equipes da elite do futebol do país, a surpreendente campanha na Copa e agora sob a gestão da Federação Italiana de Futebol (Figc), são novidades que alimentam as chances de chegar mais melhorias para o esporte.   


- Campeonato Italiano: A última temporada da Série A do Campeonato Italiano feminino foi disputada por 12 equipes e a Juventus foi a campeã do torneio, ficando apenas a um ponto de distância da Fiorentina.   


Já o Milan - terceiro colocado -, encerrou a competição com a atacante Valentina Giacinti na ponta da artilharia, com 21 gols marcados.   


Na Série B, Inter de Milão e Empoli conseguiram o acesso. Os dois clubes vão assumir as vagas de Pink Bari e Orobica Bergamo, que foram rebaixados.   


No entanto, apesar da crescente do futebol feminino no país, dois clubes que disputaram a Série A na temporada passada fecharam suas portas.   


No início de julho, a Atalanta saiu da parceria com o Mozzanica e não jogará a próxima edição do Campeonato Italiano. O processo foi semelhante com o Chievo, que também se separou do Fimauto Valpolicella.   


De acordo com a imprensa do país, a Figc está buscando dois substitutos para ambos os clubes.   


A próxima edição da Série A começará no dia 14 de setembro. Além disso, a decisão da Supercopa da Itália, entre Juventus e Fiorentina, será disputada no dia 29 do mesmo mês.   


Nas divisões inferiores, Lazio (Série B), Venezia (Série C), Padova (Série C), Bologna (Série C), Perugia (Série C) e Pescara (Série C) também possuem clubes de futebol feminino.   


Com sete títulos, o Torres é o time que mais vezes conquistou o Campeonato Italiano da categoria. O clube é seguido por Lazio (cinco), Verona (cinco) e Milan (quatro).   


- Salários: Os salários das jogadoras melhoraram após a Figc ter assumido o comando das principais competições do futebol feminino do país no lugar da Liga Nacional de Amadores (LND). No entanto, os valores ainda estão muito abaixo em comparação aos homens.   


Apesar da troca de comando, as jogadoras de todas as divisões do futebol italiano ainda são consideradas amadoras. Os contratos das atletas também não são profissionais e possuem duração de somente 12 meses. Além disso, a Figc estabeleceu que o salário bruto não pode passar de 30,6 mil euros por ano.   


Nas Séries B e C, a situação é ainda pior. Diversas jogadoras atuam de graça em seus clubes, já outras recebem uma ajuda de custo que não passa de 500 euros.   


De acordo com a revista "France Football", a atual melhor jogadora do mundo, a norueguesa Ada Hegerberg, que atua no Lyon, recebe 400 mil euros por ano. Já as atletas Amandine Henry e Wendie Renard, estrelas da seleção francesa, ganham 360 mil e 350 mil euros, respectivamente.   


Já uma das principais jogadoras da atual campeã da Copa, a norte-americana Carli Lloyd, recebe 345 mil euros atuando no Sky Blue. Por fim, a atacante Marta, que defende o Orlando Pride, consegue tirar 340 mil euros.   


Segundo o ranking elaborado pelo jornal francês "L'Équipe", o salário bruto do craque argentino Lionel Messi, sem contar valores de direitos de imagem e premiações, é de 8,3 milhões de euros. O português Cristiano Ronaldo, por sua vez, recebe 4,4 milhões de euros na Juventus.(ANSA)
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