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Sobrinha joga Pan 16 anos após ouro de Meligeni e mexe com mãe argentina

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
do UOL

Rubens Lisboa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

2019-06-19T04:00:00

19/06/2019 04h00

Carolina Meligeni tinha sete anos quando o tio Fernando Meligeni encerrou a carreira com a medalha ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo-2003, em partida épica contra o chileno Marcelo Ríos. Passados 16 anos, ela será uma das atletas brasileiras na edição de Lima em 2019 e ainda tem na memória a final na República Dominicana, um dos poucos jogos que conseguiu ver durante a carreira do ex-número 25 do mundo.

"Lembro exatamente daquele dia. Estava minha família inteira reunida na casa de amigos dos meus pais, todo mundo nervoso, na expectativa, um jogo dramático. Tenho lembranças incríveis daquilo e um orgulho enorme por ele ter conseguido fechar a carreira com chave de ouro. Nossa família estava em êxtase", lembra Carol.

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Nascida em São Paulo, a tenista de 23 anos foi convocada para disputar o Pan de Lima, entre julho e agosto, em delegação que também terá Beatriz Haddad Maia, Luísa Stefani, João Menezes, Thiago Wild e Marcelo Demoliner na busca por medalhas e, no caso dos jogadores de simples, a vaga olímpica em Tóquio-2020 que será dada aos finalistas.

A ida ao Peru dará mais um capítulo a uma disputa caseira de Carol com a mãe Paula. A tenista vive em Buenos Aires, onde treina, e pega no pé da mãe argentina, que vive no Brasil há muitos anos e nunca se naturalizou brasileira e nem pretende.

"Em casa é guerra na Copa do Mundo. No tênis, comigo e com o meu irmão (Felipe) não tem nem o que dizer, o coração acaba virando brasileiro. Inclusive tem uma aposta rolando em casa, se eu for top 50, minha mãe se naturaliza brasileira. Então vamos em busca dessa dor no coração para ela", se diverte Carolina.

Seus pais são professores de tênis em Campinas e estão se programando para viajar a Lima e acompanhar os Jogos Pan-Americanos, mas a tenista já colocou uma condição: que a mãe se vista com uma camisa do Brasil. "É o mínimo que ela vai ter que fazer! Inclusive bandeira, vamos providenciar", afirma a jovem tenista.

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Carolina Meligeni com o tio, o ex-tenista Fernando Meligeni Imagem: Arquivo pessoal

Fernando Meligeni acompanha os resultados dos sobrinhos e ajuda quando necessário com dicas e experiências. Ele foi um dos primeiros a conversar com Carol para parabenizá-la pela convocação para o Pan. Além do lado esportivo, o ex-tenista também acompanha e se diverte com o 'clássico' familiar entre Brasil e Argentina.

"É mais fácil a Carol ser número 1 do mundo do que conseguir isso (naturalizar a mãe). A Paula é um patriotismo absurdo, é a grande demonstração de como um argentino ama o país. Se um aluno de tênis dela falar mal da Argentina, é capaz de ela parar de dar aula para ele. No armário dela, tem foto do Maradona", afirma Fernando, nascido na Argentina, mas com nacionalidade brasileira desde a adolescência.

"Ela tem dois filhos brasileiros e no grupo de Whatsapp arrebentam com ela. A primeira coisa que a Carol falou foi: se você for para Lima, vai ter que vestir a camisa do Brasil e ela respondeu 'no jogo da Carol, ponto'. A Paula tem respeito pelo Brasil, o país que dá de comer para ela, só que ela é argentina de coração e entra na brincadeira, acho incrível. Essa é a rivalidade que eu espero de Brasil e Argentina, é o que eu fomento da brincadeira, da diversão, amar o seu país é muito legal", completa.

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Tenista brasileira Carolina Meligeni com a mãe, nascida na Argentina Imagem: Arquivo pessoal

Campeão em Santo Domingo na última partida da carreira em 2003, Meligeni sabe da relação que é citada por sua sobrinha ir aos Jogos 16 anos depois, mas comemora mais por acompanhar de perto o esforço de Carolina e as dificuldades superadas.

"Eu fico muito feliz por vários motivos, óbvio que o meio quer associar muito o meu resultado, minha história no Pan com ela e isso é natural, mas eu acho que é muito legal pela garra que ela tem colocado, as dificuldades que ela tem tido. Ela recebeu muito pouco apoio e vem lutando familiarmente e tentando seus objetivos, um era esse, outro é entrar em Grand Slam e depois top 100. Ela está fazendo a carreira e evoluindo a passos curtos. Na minha visão, daqui a pouco estará perto das 100".

Meligeni ainda não definiu se viajará a Lima para ver a sobrinha jogando o Pan, mas não descarta a ida. "Se existir a possibilidade, eu vou. É um torneio que eu tenho muita admiração e vai me fazer muito bem não só ver a Carol jogar, mas relembrar certas coisas, acho que a vida é feita de relembrar também. O Pan é um marco na minha carreira, inesquecível por tudo o que ele representou".

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