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Michel Platini detido em Paris em investigação sobre a escolha da sede da Copa de 2022

2019-06-18T13:18:00

18/06/2019 13h18

Paris, 18 Jun 2019 (AFP) - O francês Michel Platini, ex-presidente da Uefa, foi detido nesta terça-feira em Paris em uma investigação por suposta corrupção na escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022, informaram à AFP fontes próximas ao caso.

Além de Platini, de 63 anos e que ocupou o cargo de vice-presidente da Fifa até 2015, também foi detida a ex-conselheira de Esportes do governo Sarkozy, Sophie Dion, segundo uma fonte judicial.

Platini e Dion foram levados ao escritório anticorrupção da polícia judicial, em Nanterre, perto de Paris, onde também está sendo interrogado o secretário-geral do Palácio do Eliseu durante a presidência de Sarkozy, Claude Guéant.

A Procuradoria Nacional de Finanças (PNF) abriu em 2016 uma investigação preliminar por suspeitas de corrupção no processo de escolha da Fifa para as sedes dos Mundiais de 2018 (Rússia) e 2022 (Catar).

A justiça francesa se interessa particularmente por uma "reunião secreta" que teria acontecido no Palácio do Eliseu em 23 de novembro de 2010, na qual teriam participado o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, o príncipe do Catar Tamim bin Hamad al-Thani e Michel Platini, que na época era presidente da Uefa e vice-presidente da Fifa.

- "Acordo diplomático" -Em 2 de dezembro de 2010, a Copa do Mundo-2018 foi atribuída à Rússia, enquanto que a Inglaterra foi eliminada da disputa para sediar o torneio na primeira votação. Já o Catar foi o escolhido para organizar a Copa de 2022, ganhando surpreendentemente dos Estados Unidos.

A escolha do Catar, um país rico em petróleo, como sede da Copa de 2022 pelos membros do comitê executivo da Fifa foi um dos estopins da grave crise que abala a entidade desde 2015.

No fim daquele ano, 16 membros do comitê executivo da Fifa foram expulsos, suspensos ou investigados.

Em outubro de 2015, o ex-presidente da Fifa Sepp Blatter acusou a França. O dirigente suíço mencionou um "acordo diplomático" para que os Mundiais de 2018 e 2022 acontecessem na Rússia e Estados Unidos, mas este plano fracassou após "a interferência governamental de Sarkozy". O ex-presidente francês nega qualquer intervenção.

Michel Platini "não tem absolutamente nada para se recriminar e alega ser totalmente alheiro aos fatos dos quais é acusado", afirmaram nesta terça-feira os advogados do ex-jogador francês.

"Não é de forma alguma uma detenção, mas sim uma audiência como testemunha no processo dos investigadores", continuaram.

Platini "depôs com serenidade e precisão, respondendo a todas as perguntas. Ele está absolutamente confiante sobre a continuação do processo", concluíram os advogados.

- Depoimento de Blatter -Nesta terça-feira, Blatter, que também depôs como testemunha na Suíça em 2017, a pedido da justiça francesa, afirmou à emissora suíça RTS sua "grande surpresa". "Acreditava que o caso Catar estava fechado de uma vez por todas", declarou.

O ex-presidente da Fifa voltou a citar uma conversa por telefone com Platini, seu ex-amigo e aliado, que teria acontecido após a reunião de 23 de novembro de 2010.

"Lembro deste momento. Era final do mês de novembro de 2010, depois dele ter sido convidado ao Palácio do Eliseu, onde se reuniu com o presidente Sarkozy, que havia conversado com o príncipe herdeiro e atual emir do Catar", afirmou Blatter.

"E ele me disse que o consenso que tínhamos para ir em 2018 à Rússia e em 2022 aos Estados Unidos talvez não aconteceria porque Sarkozy pediu a Platini e a outros para votaram no Catar", concluiu o suíço.

Blatter foi suspenso por seis anos pela Fifa "de toda atividade ligada ao futebol" por um pagamento polêmico de 2 milhões de francos suíços (1,8 milhão de euros) a Platini, também suspenso por quatro anos.

Suíça e Estados Unidos também iniciaram investigações relacionadas ao processo de escolha das sedes das duas Copas.

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