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Cruzeiro acusa gestora do Mineirão de pressionar o clube; empresa rebate

Divulgação/Mineirão
Estádio Mineirão em jogo do Cruzeiro Imagem: Divulgação/Mineirão
do UOL

Enrico Bruno e Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

2019-06-12T04:00:00

12/06/2019 04h00

A relação entre Cruzeiro e Mineirão piora a cada dia. Não há mais convergência entre as partes, que discutem publicamente sobre o contrato de fidelidade firmado em 2013. O clube acusa a gestora do estádio de tentar pressioná-lo para criar um mal-estar público ao cobrar uma dívida de R$ 26 milhões. A Minas Arena, por sua vez, alega que busca uma resolução do caso desde julho de 2013.

Felipe Fagundes Cândido, advogado do Cruzeiro, diz que as cobranças públicas da administradora do estádio são com o intuito de pressionar o clube na busca por um acordo para pagar o débito.

"É uma tentativa que nós entendemos de pressão ao Cruzeiro para fazer algum tipo de acordo antes dos processos. Ao invés de ela aguardar simplesmente o término do processo, ela divulga essas notícias para gerar uma espécie de comoção e tenta sensibilizar o Cruzeiro para tentar um acordo que não vai ter sucesso", disse ao UOL Esporte.

Procurada, a gestora do Gigante da Pampulha descarta esta tentativa e diz bancar os jogos do parceiro no estádio desde 2013, depois de sucessivas cobranças sem se manifestar publicamente. O clube deixou de pagar as despesas de seus jogos no estádio em julho de 2013, quando o arquirrival Atlético-MG jogou no local sob essas condições. A alegação é que o contrato de fidelidade dá direito à Raposa de atuar desta forma se esse benefício fosse concedido a outro time.

"A Minas Arena não está fazendo nenhuma pressão para que o Cruzeiro celebre algum tipo de acordo. Só está cobrando judicialmente os valores que são devidos pelo Contrato de Fidelidade, e vem negociando com o clube o pagamento não só dos valores judicializados (que são de 2013 a 2017), como também de valores não pagos que ainda não estão judicializados e são devidos de acordo com o contrato de fidelidade (de 2018 e 2019)", explica a concessionária do Mineirão ao UOL Esporte.

"O Mineirão está arcando desde o segundo semestre de 2013 integralmente com os valores referentes às despesas operacionais das partidas do clube", acrescenta em nota enviada à reportagem.

A discussão se dá pelo novo capítulo da briga entre as partes. O Mineirão alega que rescindiu de forma unilateral o contrato de fidelidade que possui com o clube. Por outro lado, a diretoria celeste diz que a decisão tomada pela Minas Arena fere o acordo estabelecido até 2037.

"O contrato de fidelidade não está vigente e não depende de decisão do juiz para ser rescindido. O contrato prevê que o descumprimento de cláusulas não corrigido no prazo de 30 dias acarreta a rescisão do contrato, sem necessidade de interpelação judicial. Foram enviadas, desde 2013, centenas de notificações ao clube no intuito que a questão fosse resolvida da melhor maneira possível", conta a gestora do Mineirão, que é rebatida pelo parceiro:

"O Cruzeiro não só pode, como já solicitou no processo que está em curso. O Cruzeiro aguarda a decisão, porque se alguém descumpriu o contrato, foi a Minas Arena. Por isso, deveria pagar a multa prevista no contrato em favor do Cruzeiro. O valor depende de uma atualização, não vou conseguir te falar o valor exato, mas é próximo disso - R$ 14 milhões", comenta Felipe Cândido, advogado de defesa do Cruzeiro.

"Teria que passar por uma perícia para saber o valor exato [que a Minas Arena deve ao Cruzeiro], porque dependeria de perícia nas contas da Minas Arena. Há uma prova que já foi requerida e deferida, mas ainda não foi produzida. Então, nós entendemos que, quando essa prova for realizada, os números vão ser descobertos", completa.

Embora a relação esteja completamente deteriorada, as duas partes acreditam que é possível se entender no futuro. Hoje, no entanto, não há acordo, mesmo que o local siga como casa da equipe.

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