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São Paulo conseguiu abafar crise há um mês, mas vê Jean perto do limite

Desde que chegou no São Paulo, Jean atuou em apenas dez partidas - Marcello Zambrana/AGIF
Desde que chegou no São Paulo, Jean atuou em apenas dez partidas Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

21/03/2019 08h00

A crise envolvendo Jean no São Paulo estava "ensaiada" há quase um mês. A postura do goleiro vinha desagradando a diretoria desde que ele pediu para não ser relacionado para o jogo contra o Red Bull Brasil, em 24 de fevereiro, após descobrir que não seria titular, algo que não se tornou público na ocasião.

"O Jean não quis ir para o jogo diante do Red Bull. Na última hora ele acabou cedendo e foi. Eu sentei com o Jean por quase meia hora, bati um papo com o atleta. Jamais agiria de uma forma que não fosse a correta, que não fosse a de mostrar o caminho certo, que não fosse exigir comprometimento. Eu disse a ele que naquele momento não era uma atitude correta. Ele estava reivindicando uma titularidade e expliquei a ele que tudo na vida tem o seu tempo", disse o interino Vagner Mancini após o empate por 1 a 1 com o São Caetano, nessa quarta, o primeiro jogo após o afastamento de Jean por indisciplina.

Jean acreditava que seria titular contra o Red Bull porque Tiago Volpi falhou na derrota por 2 a 1 para o Corinthians, mas Mancini optou por mantê-lo. A diretoria entendeu que a postura de Jean foi desrespeitosa com o companheiro e estava decidida a multá-lo se ele mantivesse a decisão de não ir para a partida.

A bomba acabou estourando na última segunda-feira. Em uma reunião com todo o grupo, Mancini condenou o fato de Jean e outros jogadores terem ido para o banho logo após a derrota para o Palmeiras, sem esperar o início da tradicional reza de vestiário. O goleiro não gostou da cobrança, abandonou o gramado e avisou à diretoria que gostaria de treinar na academia. Ele foi avisado de que aquilo se tratava de um ato de indisciplina sujeito a punição, mas manteve a decisão de não trabalhar com o grupo.

Multado e afastado por tempo indeterminado, Jean manifestou-se nesta quarta, horas antes da partida contra o São Caetano, por meio de uma nota em seu Instagram. Essa atitude irritou ainda mais a diretoria, já que o time dependia dessa partida para ir às quartas de final do Paulistão. Mancini afirmou que a nota foi feita "para tumultuar".

O São Paulo acha que Jean está perto do limite. O clube pagou R$ 6 milhões ao Bahia em janeiro de 2018 - o valor poderia chegar a R$ 10 milhões se atingisse um determinado número de partidas, algo que não aconteceu - e sempre o tratou como grande promessa para o futuro, mas já se irritou com ele diversas vezes. O goleiro teve uma discussão com Sidão no início do ano passado, foi expulso por provocar a torcida do Vitória quando ganhou uma sequência na reta final do Brasileirão e, ao voltar, recebeu novo cartão amarelo tolo contra a Chapecoense.

A diretoria espera que ele demonstre algum arrependimento e peça desculpas para considerar a possibilidade de devolvê-lo à rotina normal e colocá-lo à disposição da comissão técnica. Foi o que aconteceu com Gonzalo Carneiro, que se rebelou após não ser utilizado na Florida Cup e não apareceu para o jogo contra o Mirassol, na primeira rodada do Paulistão. Repreendido e multado, desculpou-se e pediu para voltar a treinar com o grupo, algo que foi imediatamente atendido.

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