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Conca sobre retorno ao Fluminense no futuro: "Eu nunca fecho as portas"

Divulgação
Imagem: Divulgação

09/03/2019 12h54

Bastou uma publicação para reacender o carinho do torcedor. O vídeo que Darío Conca postou nas redes sociais, relembrando o gol marcado pelo Fluminense contra o Grêmio, em 2010, gerou reações - que surpreenderam até a ASJ Consultoria, empresa que administra a carreira do atleta. Entre as mensagens, uma chuva de pedidos para voltar ao Tricolor. Ao LANCE!, o argentino foi cauteloso ao falar, mas garantiu que não fechar portas para a possibilidade.

"Comecei a ficar mais nas redes sociais. Estou sentido o torcedor, próximo das pessoas. Posso acompanhar melhor. Os torcedores pedem nas redes sociais e pessoalmente para eu voltar, mostram carinho. Acho legal, vou ser sempre grato. Eu nunca fecho as portas. Não posso falar que vou voltar ou não porque não sabemos como será o futuro, mas não fecho as portas. Foi um clube que me tratou muito bem. Me senti muito confortável. Nunca viraria as costas para o Fluminense ou para a torcida", declarou Conca.

Durante as quase 2h de entrevista, o agora "norte-americano" Conca falou sobre a sua passagem pelo Fluminense. O carinho pelo clube se juntou as lembranças - principalmente com 2010. Perguntado sobre qual foi o melhor momento vivido na carreira, não tardou em responder sobre o Campeonato Brasileiro daquele ano, onde diz que "pensa que foi um sonho".

"O meu melhor momento na carreira, com certeza, foi 2010 com a camisa do Fluminense. Não tenho dúvida. Não imaginava que seria profissional, imagina vestir a camisa de um clube com o Fluminense. Imagina jogar 38 jogos, ganhar o campeonato, enfrentar as estrelas que tinha. Às vezes penso que foi um sonho. Foi um momento único. Nunca imaginei que seria escolhido como melhor jogador. Foi o momento mais importante, sem dúvidas.

O vídeo do gol que viralizou na conta de Conca passou de 100 mil visualizações em pouco mais de uma semana. A surpresa? A ideia foi do próprio, que lembrou do tento e achou importante registrar. Antes tímido, agora mais solto e antenado nas redes sociais, o argentino comentou sobre a mudança na vida pessoal - e também virtual, podemos dizer.

"É uma mudança boa. Você fica mais conectado. Posso reviver os momentos bons e o torcedor fala muitas coisas. Estou mais próximo. É algo bem legal. Sempre vou ser grato pelo carinho. Leio tudo, tem que ter o respeito de ler. Na hora tem que ter o respeito de ver as coisas. Leio, vejo, acompanho, e está me fazendo bem. É bom ver o carinho das pessoas".

DE ÍDOLO A CRITICADO, MAS RETOMANDO O CARINHO

Mas, nem sempre as redes sociais de Conca foram essa calmaria. Em 2017, quando acertou a transferência para o Flamengo, viu a torcida do Fluminense enche-lo de críticas. Antes ídolo incontestável, passou a ser xingado. O argentino é tranquilo para falar sobre o assunto: sabe que deixou muitos torcedores chateados, mas fica feliz pelo cenário estar mudando.

"Quando você joga em um rival, é normal, acontece com todo mundo. Mas, hoje estou no Austin, acho que agora eles estão voltando a demonstrar um carinho. As vezes acontece de um ou outro ficar triste, mas nunca recebi xingamentos na rua, ameaças... Acho que na rede social tudo fica mais aberto e aproveitam para odiar. É mais fácil, mas tenho nada contra isso e respeito cada um. Hoje, o torcedor demonstra carinho", declarou, antes de completar:

"Jogador de futebol sabe que está aberto a essa possibilidade. Não vou falar que fico feliz por receber xingamento, seria mentira, mas tem que ver o lado do torcedor apaixonado. Eles agem dessa forma. Mais importante foi o apoio da minha família. Tenho esposa, filho, eles me apoiaram bastante. Ninguém gosta, mas sabemos que faz parte do futebol. Eu respeito cada torcedor".

Ainda sobre o torcedor do Fluminense, Conca sabe que não será do dia para a noite que irá recuperar o carinho dos mesmos, mas garante que isso não afetou sua relação com o clube. "Sempre vai ter da minha parte", conta o meio-campista lembrando da coleção de camisas, onde o Tricolor está em destaque.

"Carinho você vai ter sempre. Da minha parte, vai ter sempre. O que se viveu durante muitos anos foi uma coisa muita linda. Foi muito bom para mim, foi um momento especial na minha carreira. Esse carinho vai existir sempre. As vezes encontro torcedores na rua e eles falam bastante. Isso sempre vai ficar pelo trabalho que fiz dentro do clube".

PASSAGEM PELO FLAMENGO

Conca foi anunciado em janeiro de 2017 pelo Flamengo com status de craque e reforço para a conquista da Libertadores. Era sabido que seira necessário um tempo para a recuperação, mas, como o torneio havia mudado para ter a final apenas em dezembro, havia a expectativa de que o argentino fosse importante na campanha. Resultado: apenas 27 minutos em campo em uma passagem frustrante.

"A verdade é que fui contratado para me recuperar. Eu sabia que ia demorar, depois ia jogar. Não tive a possibilidade que eu queria, o treinador escolhia outros jogadores para aquele momento. Mas eu agradeço por ter me ajudado em um momento tão difícil. Gostaria de jogar, sempre gostei, todos sabem que sempre quis estar dentro de campo".

Conca esteve com dois treinadores no Flamengo: Zé Ricardo e Reinaldo Rueda. Durante a sua passagem, um polêmico vídeo onde tinha dificuldade para correr viralizou. O problema: era antigo e não refletia a sua recuperação - já que o zagueiro Donatti, que estava na imagem, já havia deixado o clube no momento em que foi divulgado. O argentino não guarda mágoas, evita falar no que mudaria, mas admite que não entende algumas decisões tomadas.

"É muito difícil falar em algo que mudaria. Não joguei, escolheram outros por motivos que não sei, mas não fico me arrependendo por uma coisa ou outra. Você toma decisões, as coisas acontecem. Da minha parte, queria jogar mais. Sempre quis jogar, mas não aconteceu. Os treinadores tiveram os motivos deles. Mas eu respeito as decisões. Eu expliquei que aquele vídeo não foi naquele momento. Quem via no dia a dia sabia que eu não estava naquele jeito".

AUSTIN BOLD

Aos 35 anos, Conca foi anunciado como novo reforço do Austin Bold FC, time criado recentemente e que vai estrear na United Soccer League, nos Estados Unidos. Ele é companheiro de equipe do atacante Kleber Gladiador. Mas, como foi o processo para jogar no país norte-americano? O argentino fala sobre a ajuda da família para tomar a sua decisão.

"Queria saber como era jogar nos Estados Unidos, entender um pouco da cultura deles, apareceu a oportunidade de jogar no Austin Bold e me motivou. Tinha rescindido meu contrato na China, minha família foi muito importante para tomar a decisão. Queriam que eu voltasse a jogar o mais rápido possível. Fiz a pré-temporada toda, consegui treinar normal. Acho que se falou muito sobre lesão, todo mundo se recuperou, porque eu não vou conseguir me recuperar? Fiz um trabalho de reforço, estou com Ronaldo Torres treinando forte, estou em boas condições para joar durante muito tempo", contou, antes de falar sobre o planejamento para o futuro:

"Estou em um momento bom, voltei a jogar, voltei a fazer o que eu amo. Aproveito os meus filhos, participo de projetos, nunca vou esquecer que sou jogador de futebol e tenho que viver também. Ir na sorveteria, passear e estar com a minha família. Tenho que ter um projeto de futuro para depois que parar, continuar fazendo alguma coisa, me sentir bem. Quero jogar golfe, conseguir fazer outras coisas. Espero me sentir tão bem quatro no futebol".

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