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Landim diz que famílias procuraram o clube e acordo não está descartado

24/02/2019 14h08

16 dias após o incêndio que atingiu o alojamento das categorias de base no Ninho do Urubu e vitimou 10 jovens atletas e feriu outros três, a direção do Flamengo, enfim, veio a público esclarecer o ocorrido. Foi a primeira vez que O presidente Rodolfo Landim, o CEO Reinaldo Belotti e O vice-presidente geral e jurídico Rodrigo Dunshee atenderam e responderam perguntas dos jornalistas.

Durante a extensa coletiva, o presidente informou que, após o anúncio por parte de algumas famílias de que não haveria mais negociações com o Flamengo, o clube já foi procurado e as conversas retomadas pela direção.

Segundo Landim, os contatos aconteceram ainda na sexta-feira, após a audiência de mediação proposta pelo Flamengo no Tribunal de Justiça do Rio.

- Nesse processo, nós pedimos a mediação da Justiça, Cesar Cury estava lá e abriu o processo. Todas famílias concordaram. Houve um momento em que pediram para conversar entre eles. Se dependesse do Flamengo, e foi o que sugerimos, elas teriam o auxilio da Defensoria Pública. Infelizmente, soubemos que duas famílias já vieram representadas por advogadas. A informação é que nessa reunião em separado, após a saída do desembargador, que se mostrou confiante em um término breve, o que vimos foi uma reversão total daquele quadro. Soubemos que houve a participação muito forte dessas duas advogadas, uma delas representando uma das pessoas que fez as declarações. Isso foi muito doloroso para gente, em falar em falta de respeito por parte do clube - afirmou o presidente, antes de completar:

- Tudo que fizemos foi da forma mais respeitosa possível. É um momento difícil, mas entendemos que essas duas advogadas criaram um clima, mas o que temos sentido de positivo é que, acabado aquele momento, a gente começou a ser procurado de novo pelas famílias, buscando conversar de novo e buscando o processo de mediação que foi proposto com o Tribunal de Justiça. Isso já ocorreu e está acontecendo desde sexta-feira após as declarações. Já tivemos famílias que nos procuraram e existem reuniões agendadas. Está na linha do que defendemos. Não posso garantir que todas vão seguir esse caminho. Não posso, mas isso nos deixou muito satisfeito e vai continuar acontecer.

Além dos dirigentes, Álvaro Piquet, advogado contratado para representar o Flamengo, também esteve presente e deu mais informações sobre a condução das conversas com a família e a busca pelo atendimento das necessidades de cada uma das famílias das vítimas do incêndio no Centro de Treinamento.

Por questão de sigilo e em respeito à privacidade e à segurança dos familiares, Álvaro Piquet não falou em valores, mas reforçou que a

- Em primeiro lugar, uma das questões que nos levou a não falar em valores, é que as reuniões estão sujeitas a confidencialidade. Em segundo lugar, se existe ou não jurisprudência que possa ser aplicada a esse caso. Infelizmente, não é a primeira tragédia em parâmetros similares. Desde o início do processo, foi me passado: busquem as necessidades e interesses e vamos fazer acordo superiores a jurisprudência do Superior Tribunal - afirmou, antes de completar:

- Todo caso que envolve acidente, tem um grau de subjetividade grande. Não existe formula para definir valores, por isso conversamos individualmente buscando uma solução para quela família. Uma família, por exemplo, pode querer que o Flamengo arque com os estudos de um irmão, uma pode querer que o Flamengo arque com os custos de uma casa. São um conjunto de decisões que o STJ teve nos últimos anos e estudamos para avalizar o que oferecermos ás famílias. Essa foi a expressão solicitação do presidente.

Rodrigo Dunshe também foi questionado sobre a prmeira audiência de mediação entre o clube e as famílias, realizada na sexta-feira no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O VP jurídico representou o Flamengo no encontro.

- Eu compareci nesse dia e o proposito dessa reunião foi uma reunião de instalação da mediação, onde seria explicado as famílias o que é o processo, voluntário, como funciona o serviço do Tribunal de Justiça. Então, o desembargador Cesar Cury deu uma aula. Ficamos umas 2h15 e o Flamengo foi nesse propósito. Representei o Flamengo, Bernardo Accioly e três advogados. As famílias pediram que não ficasse só na pré-mediação, nos pediram que a primeira reunião de propriamente dita mediação fosse feita naquele mesmo dia. Então, o desembargador Cury saiu e eu sai junto para que a equipe de advogados e do Flamengo começasse as conversas naquele momento - afrmou Dunshee.

O VP jurídico, assim, justificou que, por conta do pedido das famílias, o fato de não ter mais representantes e advogados do Flamengo a serviço na reunião.

- Se soubéssemos que iria acontecer a acontecer, seria bom que tivesse mais pessoas do advogados. O ex-presidente Hélio Ferraz, experiente em mediação, se oferece também. Não tínhamos esse roteiro. Agora, vamos precisar de mais gente. São 13 famílias, é importante que haja conversa individual sem prejuízo de uma conversa coletiva. Acho que foi importante. Tudo é negociável, estávamos desfalcados e vamos melhorar.

Relembre o caso:

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O incêndio no alojamento nas divisões de base aconteceu no dia 8 de fevereiro e vitimou 10 atletas do Flamengo, de 14 a 16 anos. Três jogadores precisaram ser internados - Cauan Emanuel e Francisco Dyogo já receberam alta médica -, sendo que Jhonata Ventura segue aos cuidados do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Municipal Pedro II. O quadro do jovem é estável. Além deles, treze jovens escaparam do incêndio sem qualquer tipo de ferimento.

No dia 13, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro determinou a suspensão de todas as atividades das categorias de base no CT George Helal, o Ninho do Urubu, proibindo a entrada, permanência ou participação de qualquer criança ou adolescente no local até julgamento do mérito. A decisão é do juiz Pedro Henrique Alves, da 1ª Vara da Infância da Juventude e do Idoso.

Em caso de descumprimento, está prevista multa única no valor de R$ 10 milhões em relação ao Clube de Regatas do Flamengo e multa única e concomitante no valor de R$ 1 milhão ao presidente Rodolfo Landim. A decisão do TJ-RJ foi liminar parcial em ação civil publica do MPRJ que corre desde 1 de abril de 2015. Cabe recurso ao Flamengo em segunda instância.

A decisão está sendo respeitada. Após o incêndio, as atividades da base foram e a expectativa para que os jogadores se reapresentem na quinta-feira, dia 21. Contudo, sem a estrutura do Ninho do Urubu, a operação com atletas de fora do Rio de Janeiro deve permanecer suspensa. O clube entende que não há condições de receber centenas de atletas da base em outro local que não o CT.

O Flamengo se pronunciou em três momentos desde o trágico episódio. No dia do incêndio, o presidente Rodolfo Landim fez um emocionado - e curto - pronunciamento à imprensa na entrada do CT. O mandatário classificou o caso como "a maior tragédia nos 123 anos do Clube de Regatas do Flamengo".

No dia seguinte, na Sede da Gávea, quem falou foi o CEO Reinaldo Belotti, que coordenou o comitê de gestão de crise desde o início. O executivo reforçou a prioridade do clube no suporte amplo e irrestrito às vítimas e familiares e, com base em documentos, garantiu que o incêndio nada teve a ver com as condições da estrutura do alojamento das divisões da base no CT George Helal.

Nestes dois primeiros momentos, o clube não abriu espaço para perguntas. No dia 15, Rodrigo Dunshee, vice-presidente e vice-jurídico do Rubro-Negro, falou rapidamente após a reunião com os órgãos públicos e ressaltou que a atual gestão assumiu o poder apenas no começo de 2019. Após o pronunciamento, porém, Dunshee se irritou com as perguntas e retirou-se, dando fim à coletiva.

No dia 20, Flamengo e Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Defensória Pública e Ministério Público do Trabalho não entraram em acordo quanto ao valor das indenizações a serem pagas às famílias das vítimas fatais. Segundo o MP, a oferta do clube ficou de R$ 300 mil a R$ 400 mil mais um salário mínimo por 10 anos à cada família, enquanto os órgãos públicos desejam o pagamento de R$ 2 milhões para um salário de R$ 10 mil até a data em que os atletas mortos completariam 45 anos.

No dia seguinte, o clube deu início ao processo de mediação junto com as famílias das vítimas no Tribunal de Justiça, mas os familiares deixaram o local, após cerca de 4h de encontro, indignados e encerraram a negociação com o Flamengo. Na visão das famílias, "faltou respeito" por parte da diretoria, que só esteve representada por Rodrigo Dunshe, vice-presidente geral e jurídico, que deixou a reunião em andamento. O VP justificou a saída antecipada, afirmando que não "fazia parte do processo de mediação" e que compareceu ao início da audiência por entender que seria importante ter algum representante do Flamengo naquele momento.

Ainda no dia 20, o Ministério Público do Rio de Janeiro e a Defensoria protocolaram o pedido de urgência para que o Juizado Adjunto do Torcedor e dos Grandes Eventos determine o bloqueio de R$ 57,5 milhões das contas do clube da Gávea e a imediata interdição do Centro de Treinamento George Helal. O juiz Bruno Monteiro Ruliere, do Juiz Especial do Torcedor e Grandes Eventos, deu cinco dias - a partir da última sexta-feira - para o Flamengo apresentar a defesa do pedido de urgência.

Os atletas profissionais do Flamengo continuam treinando no Ninho. A direção entende que não há risco em realizar atividades diurnas nos campos e reforça que não está havendo utilização noturna de nenhuma estrutura do local.

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