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Casal Brittes tem primeiro encontro desde prisão e "conversa breve"

GIULIANO GOMES/PR PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Edison e Cristiana Brittes na audiência de instrução do Caso Daniel Imagem: GIULIANO GOMES/PR PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
do UOL

Dimitri do Valle e Karla Torralba

Do UOL, em São José dos Pinhais e São Paulo

2019-02-19T12:00:00

19/02/2019 12h00

O casal Edison e Cristiana Brittes, presos desde novembro pela morte do jogador Daniel Correa se reencontrou pela primeira vez após a prisão. Os dois chegaram a conversar na audiência de instrução, que decidirá se os réus acusados do assassinato do atleta irão a júri popular. 

Os depoimentos continuam hoje (19). A família de Daniel, testemunhas sigilosas, o delegado que conduziu o caso Amadeu Trevisan e investigadores falarão à juíza no fórum de São José dos Pinhais (PR). 

À imprensa, o advogado da família Brittes, Cláudio Dalledone Júnior, afirmou que Edison e Cristiana trocaram olhares e tiveram "conversas triviais". 

"Eles estão na mesma sala, estão conversando e estão ali aguardando e acompanhando os depoimentos. Eles podem conversar, mas a polícia está vigiando. Questões que fujam da normalidade estão vigiadas, estão sendo monitoradas. Trivialidades eles podem conversar", ressaltou o advogado. 

Dalledone explicou rapidamente o teor das conversas. "Breves conversas normais, dentro do contexto da normalidade. Não vão entrar em assuntos sensíveis. Tem olhares, mas sem conversas tabuladas. É a primeira vez que eles se encontram desde a prisão e evidentemente isso emociona a todos", comentou. 

Cristiana e Allana têm algemas retiradas

A juíza deferiu o pedido do advogado de defesa dos Brittes para que Cristiana e Allana tivessem as algemas dos pés e das mãos retiradas. Edison ainda está algemado nas mãos, mas agora tem os pés livres. 

"Elas não representam nenhum perigo. Mantê-las algemadas pode até anular um ato judicial. Elas estão sendo fotografadas e filmadas e as imagens estão ganhando o mundo", ressaltou Dalledone.  

Mais um momento tenso:

Cláudio Dalledone Júnior e Nilton Ribeiro voltaram a se estranhar, assim como aconteceu ontem. Dessa vez na frente da imprensa. Isso porque o assistente de acusação e o advogado dos Brittes discordaram sobre uma frase dita por testemunhas sigilosas de acusação. 

A frase em questão se refere à Cristiana Brittes e sobre o que a mulher de Juninho Riqueza teria dito ao marido antes de Daniel ser levado da casa da família para a morte. "Tem poucas divergências, mas o que foi trazido de relevante foi uma testemunha sigilosa que disse que ouve a Cristiana dizer 'se for matar, não mate aqui'", disse Nilton na primeira vez, sendo acusado por Dalledone de "faltar com a verdade". 

Depois da acusação do advogado dos Brittes Nilton Ribeiro explicou a frase. "Para não obter dúvida ela (testemunha) disse: 'não deixa matar ele aqui dentro de casa'. 'Não deixa matar ele aqui dentro de casa'. Foi o que ela disse na delegacia e depois, ao meu entender, ela ratifica essa frase. Eu tirei foto e foi isso que ela disse. Ela disse. O valor disso, no entanto, quem vai dar é a juíza", explicou.  
 

O que aconteceu no 1º dia de audiência

Três testemunhas de acusação falaram ontem à juíza Luciani Regina Martins de Paula: Lucas Mineiro, Eduardo Purkote e uma testemunha sigilosa. O dia foi marcado por um clima tenso e a primeira aparição dos réus desde as prisões. Edison Brittes Júnior, o Juninho Riqueza, estava visivelmente mais magro

Além dos depoimentos, a audiência teve momentos de tensão entre o advogado Nilton Ribeiro, assistente de acusação; e Cláudio Dalledone Júnior, que defende a família Brittes. A juíza precisou pedir para que os ânimos fossem acalmados na ocasião. 

Entenda o caso

Daniel Correa foi morto no dia 27 de outubro de 2018 depois da festa de aniversário de 18 anos de Allana Brittes. Após celebração em uma boate de Curitiba, todos seguiram para a casa da aniversariante, onde o jogador foi espancado antes de ser levado dali de carro para a morte. 

Daniel foi degolado e teve o pênis cortado. Edison Brittes Júnior, pai de Allana, confessou o crime. No carro que levou o jogador para ser morto ainda estavam David Vollero, Ygor King e Eduardo da Silva, também presos acusados de participação no homicídio. 

Segundo Edison Brittes, conhecido como Juninho Riqueza, Daniel tentou abusar de sua mulher, Cristiana Brittes, e por isso iniciou a sessão de espancamento do jogador, ainda em sua casa. Cristiana e a filha Allana também estão presas. 

A polícia afirma que, além de ter matado Daniel, Edison Brittes ameaçou testemunhas do crime e fez com que todos os presentes na casa limpassem o local para apagar as provas de que Daniel esteve ali. 

A sétima ré denunciada à Justiça é Evellyn Perusso, ficante de Daniel na noite anterior ao crime. A garota, amiga de Allana, responde por falso testemunho e denunciação caluniosa. 

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