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Opinião: 'Final fica em 2º plano diante da falência moral do futebol carioca'

18/02/2019 07h45

A imagem de Fred dizendo que o Campeonato Carioca tinha que acabar, ainda em 2015, circulou durante todo o dia nas redes sociais. O atacante, hoje no Cruzeiro, não tinha ideia do quanto a sua crítica seria certeira. Não que o torneio deva ser extinto, mas pelo tamanho da falência moral que atingiu neste domingo, durante a final da Taça Guanabara. A confusão política e jurídica entre Fluminense e Vasco conseguiu deixar o futebol em segundo plano.

As cenas protagonizadas nos arredores do Maracanã não podem ser tratadas como surpreendentes. A Polícia Militar e torcedores do Vasco transformaram a Rua Eurico Rabelo no palco de uma batalha campal. O motivo? O clima de ódio que tomou conta do clássico pelo lado direito às cabines de rádio - não apenas nesta decisão, mas desde que os ex-presidentes Peter Siemsen e Eurico Miranda reacenderam as polêmicas sobre o Setor Sul.

Pedro Abad e Alexandre Campello só participaram do estopim. De um lado, o Vasco da Gama se apega ao título conquistado em 1950 - o primeiro campeonato do Maracanã - que lhe deu o direito de escolher o seu lado junto ao Estado - que não comanda mais o estádio. Além disso, o regulamento do Campeonato Carioca lhe dava o direito ao setor sul por ser o mandante.

Do outro, o Fluminense que, corretamente, reclama pelos seus direitos explícitos em contrato, mas não o traz a público para acabar com a polêmica sobre as suas cláusulas - que, segundo diversos dirigentes, são claríssimas e não deixam dúvidas.

A falência do futebol carioca vem de anos e tem vários motivos: a desunião dos clubes, más administrações, perda de expressão diante do cenário nacional e, agora, a perda do bom senso diante da vida humana. Durante 30 minutos, 22 atletas estavam jogando bola dentro de um estádio vazio enquanto crianças, mulheres e idosos eram atingidos por balas de borracha e gás de pimenta.

Faltando 48h para a partida acontecer, não se sabia como seriam as vendas de ingresso. Com 24h para o início, não havia uma definição se o jogo seria com ou sem torcida. Quando o juiz apitou a partida, existia a dúvida se os portões seguiriam fechados durante os 90 minutos. Isso em uma final, para mostrar o tamanho da várzea - não há outra palavra que possa ser usada - que foi presenciada.

O Vasco levantou - de forma merecida - a Taça Guanabara pelo título conquistado dentro de campo. Entretanto, há pouco para se comemorar. Fora dele, perde o Cruz-Maltino, perde o Fluminense, perde a Ferj e também o futebol carioca. A falência desportiva já se aproximava, mas dificilmente a pobreza moral será curada após este domingo.

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