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Como o Vasco tornou fácil uma tarefa que poderia ter sido difícil

14/02/2019 15h34

Desde fevereiro do ano passado, quando goleou o Jorge Wilstermann, da Bolívia, por 4 a 0, pela Libertadores, que o Vasco não vencia por três ou mais gols de diferença sem ter a sua defesa vazada. Ou seja, do ponto de vista do placar, há um ano que o Cruz-Maltino não conseguia unir solidez defensiva e volume ofensivo em uma mesma partida, goleando sem se descuidar atrás.

Contra o Resende, nesta quarta-feira, no triunfo por 3 a 0 que classificou o time para a final da Taça Guanabara, a equipe de Alberto Valentim conseguiu a tão sonhada atuação equilibrada, sendo eficiente no ataque e consistente na defesa. Com Yago Pikachu e Marrony combinando defensivamente com Raúl Cáceres e Danilo Barcelos, o Cruz-Maltino neutralizou as jogadas de lado do adversário. Principalmente as de Maxwell, artilheiro do Campeonato Carioca, que tentou se movimentar fugindo da marcação mas sempre encontrava um novo vascaíno.

Bem postado sem a bola, o Vasco, inclusive, bateu seu recorde de desarmes nesta temporada. Segundo o Footstats, foram 19 roubos de bola na partida, Marrony, autor do terceiro gol - que veio através de um desarme - foi o líder do fundamento, com cinco. Lucas Mineiro, com três, também teve o seu melhor desempenho no fundamento desde que chegou ao clube, sendo um dos destaques do jogo.

Em tempos onde muito se fala da posse de bola para controlar as partidas, o Vasco de Valentim fez exatamente o oposto. Após sair na frente com um gol de cabeça de Lucas Mineiro, a equipe deu a bola para o Resende, que terminou com 51,4% de posse. Confortável na vantagem e seguro na defesa, passou a explorar os contra-ataques, que só não foram mais efetivos em razão da noite pouco inspirada de Thiago Galhardo e Maxi López. Antes de sair na frente, o Cruz-Maltino chegou a ter 69,4% de domínio, mas abriu mão logo após o gol do volante, como mostra o gráfico.

Foi a mesma tática utilizada na vitória sobre o Fluminense, por 1 a 0, numa de suas melhores apresentações no ano. O que mostra uma facilidade maior do time em atuar de forma reativa, sem propor tanto o jogo, como foi contra o Juazeirense, por exemplo. Um estilo exatamente oposto aos de Fla e Flu, de onde sairá seu adversário na decisão.

O Resende tinha na velocidade e movimentação de seu atacante, que abre espaço para a chegada de meias e volantes, uma das armas para vencer o Vasco. Foi assim que a equipe resendense bateu o Botafogo e empatou com o Flamengo. Neutralizar essas ações foi o primeiro ato do time de Valentim que, a partir disso, construiu uma vitória tranquila e relativamente fácil. Mais do que isso: mostrou que há uma linha que pode ser seguida com êxito, exatamente se colocando como um contraponto de seus principais rivais na disputa estadual.

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