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Cruzeiro dará garantia e vai 'congelar' taxas para não aumentar empréstimo

© Washington Alves/Light Press/Cruzeiro
Presidente Wagner Pires apresentou projeto e teve grande aprovação do Conselho Imagem: © Washington Alves/Light Press/Cruzeiro
do UOL

Enrico Bruno e Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

12/02/2019 11h30

Com a aprovação de um empréstimo de R$300 milhões junto a um fundo de investimentos internacional, o Cruzeiro deu um passo importante para tentar se reestruturar e recuperar sua saúde financeira. A partir de agora, o clube seguirá adiante para viabilizar a operação financeira e começar a receber pelo menos parte do montante já nos próximos meses. Ainda não há uma previsão para o dinheiro cair na conta, mas o empréstimo será feito por uma instituição financeira da Inglaterra. Para quitar toda a dívida em até cinco anos, o clube colocou como garantias patrocínios e cotas de TV, e se apoia em novas receitas para tentar levantar a grana no futuro.

O tamanho da dívida total do Cruzeiro é de mais de R$450 milhões (cerca de R$170 milhões são negociados com o Profut). De todo esse montante, de R$250 milhões a R$280 milhões correspondem às dívidas que o clube vê mais urgência em sanar. Segundo apurou o UOL, atualmente, a instituição paga juros mensais em torno de 1,5%. Foi estudada a redução para 0,65% ao mês. Contudo, como o pagamento será feito em moeda estrangeira (euro), correria o risco de uma possível desvalorização do Real aumentar ainda mais a dívida no futuro. Por isso, a gestão aceitou uma cobrança de 0,85% ao mês, mas obtendo um congelamento da taxa cambial, impedindo que flutuações da moeda alterem radicalmente os débitos.

"Nós discutimos o empréstimo de R$ 300 milhões ontem. Não deram nenhum detalhe, porque imagino que haja cláusulas de confidencialidade e não possam informar os detalhes ainda. Mas os juros são muito abaixo do mercado brasileiro e pagos em sete parcelas semestrais. A dívida do Cruzeiro, hoje, está entre R$ 250 milhões e R$ 280 milhões", comentou José Dalai Rocha, vice-presidente do Conselho Deliberativo do clube, em contato com a reportagem.

Depois de receber os valores, o Cruzeiro ainda terá um ano e meio de carência. Nos três anos e meio seguintes, o clube terá pela frente sete parcelas de pouco mais R$50 milhões para serem efetivadas a cada semestre. Para fechar essa conta, a diretoria colocou como garantias as cotas de tv, venda de jogadores e outros recebíveis, como a renda de bilheteria e sócio-torcedor. Além disso, a cúpula espera receber mais nos próximos anos com a venda dos direitos internacionais de transmissão. Fechando a conta, a expectativa é que o patrocínio máster aumente progressivamente nas próximas temporadas, ajudando a pagar as despesas.

"Não foi um empréstimo sem garantias, mas a garantia será a receita do Cruzeiro, não foi nenhum imóvel. Há um estudo que mostra que o Cruzeiro é a quinta marca mais valorizada da América do Sul, a segunda do Brasil. Então, foi feito desta forma. Não há imóveis como garantias em um possível empréstimo", acrescentou Dalai Rocha. Nas semanas que antecederam a reunião, este foi um dos pontos mais polêmicos, já que parte dos conselheiros interpretou que patrimônios do Cruzeiro seriam colocados como garantia.

Apesar de ter gerado muitas discussões na véspera, a reunião no Barro Preto foi realizada com bastante tranquilidade entre os conselheiros, tanto que apenas dois dos 316 votaram contra a proposta da atual diretoria. Antes desfavorável à aquisição do empréstimo, o ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares não se opôs. Também ficou garantido que o empréstimo seja utilizado exclusivamente para o pagamento das dívidas, sem entrar no departamento de futebol para comprar jogadores.

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