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Entenda como o Ituano desbancou a supremacia de Sampaoli no Santos

04/02/2019 15h27

Antes do último domingo, o Santos tinha o melhor ataque e a melhor defesa do Campeonato Paulista, era líder geral invicto do estadual, com 11 gols marcados e apenas um sofrido, além de 100% de aproveitamento. Nada disso importou com a bola rolando no Novelli Júnior, em Itu. Foi suficiente um tempo de bola rolando para o Ituano abrir 4 a 1 em casa e atropelar o Peixe em jogo que terminou 5 a 1 - Jonas, Léo Santos, Morato, duas vezes, e Marco Serrato marcaram. Jean Mota descontou.

Ao LANCE!, o atacante Morato, de 26 anos e ex-jogador do São Paulo, e o técnico Vinícius Bergantin, de 38, explicam como derrubaram a supremacia de Jorge Sampaoli no estadual.

TÁTICA COM ESTUDO

?O conhecimento prévio do adversário fez toda a diferença. No comando do Ituano desde junho de 2017, Vinícius sabia o que iria encontrar e achou uma maneira de neutralizar o Alvinegro. Para isso, contou com a ajuda de seu auxiliar-técnico e dos três membros da análise de desempenho do clube. Ele mesmo explica:

- Sabíamos que o Santos está jogando um futebol muito ofensivo, seja com dois ou com três zagueiros e precisaríamos neutralizar essa saída de jogo com os homens da defesa. Para isso, resolvi preencher o meio-campo, colocamos três meias para não deixar a bola entrar por dentro. Os homens de beirada também não deixavam entrar por fora - conta, e completa:

- Eu vi todos os jogos. Temos também o nosso departamento de desempenho, que entrega tudo mastigado. Além disso, já tínhamos usado a formação usada pelo Sampaoli no segundo semestre do ano passado. Pegamos as experiências das equipes que jogaram contra nós. Leitura, estudos... Usar os problemas a nosso favor.

AGRESSIVIDADE E CONCENTRAÇÃO

- Vinícius foi bem direto conosco em relação ao jogo: se a gente fosse amoroso, o Santos iria nos atropelar. Se a gente fosse aguerrido e soubesse explorar o que ele nos propôs, poderíamos ganhar - explica Morato, autor de dois dos cinco gols marcados pelo Ituano no jogo. O técnico mesmo dá mais detalhes da conversa antes da partida:

- Não se ganha um jogo contra um time grande sem ser agressivo. Agressivo não só ao se defender e marcar, mas também na hora de atacar. Contra uma equipe como o Santos, jogando o melhor futebol do país. Tínhamos que ser agressivos no um contra um para termos chances. Meus jogadores entenderam bem, assimilaram e, principalmente, colocaram em prática. Mérito deles. Fiquei muito feliz pela disposição e por terem comprado a ideia - finaliza o técnico.

E AGORA, ITUANO?

?Gerido por Juninho Paulista há quase dez anos, o Ituano atualmente ocupa a segunda colocação do Grupo D, com sete pontos. Escapar do rebaixamento é o principal objetivo até aqui. De acordo com Vinícius Bergantin, são as "etapas" que os clubes do interior têm de cumprir no estadual.

- Paulistão é um campeonato muito difícil. Um clube como o Ituano tem etapas a cumprir. A primeira delas é escapar do rebaixamento. Com 12 pontos, fica difícil ser rebaixado. Aí sim, poderemos olhar para cima. É claro que uma vitória como essa nos impulsiona, mas não nos tira do chão. Vamos levar a confiança, mas com sete pontos não garantimos nada. Ambição final será a de classificar, mas o caminho é longo - pondera o treinador.

- Não mudou nada. De verdade. É legal chegar a sete pontos, mas, antes dessa partida, tínhamos quatro jogos e quatro pontos. É uma campanha de time para não ser rebaixado. O objetivo é manter o Ituano na primeira divisão. Não vamos fazer a mesma campanha de 2014. Vamos passo a passo nos livrando logo dessa situação e só então vamos pensar na classificação. Essa é a nossa realidade. Não vamos enfiar seis gols no Red Bull Brasil. Se pensarmos assim, aí sim vamos cair - completa Morato, autor de três gols no estadual.

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