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Grupo de metal muçulmano da Indonésia prepara-se para o maior palco de sua trajetória

23/06/2024 16h35

Por Ananda Teresia e Stanley Widianto

JACARTA (Reuters) - Com seus lenços islâmicos e música metal de alta octanagem, as mulheres da banda indonésia Voice of Baceprot já tocaram em palcos dos Estados Unidos à França. Mas nesta semana elas estão nervosas.

Na Inglaterra, na sexta-feira, o trio será o primeiro indonésio a tocar no Glastonbury Festival, um dos maiores do mundo, dividindo espaço com artistas como Coldplay e Shania Twain.

Este é o maior palco até agora para as jovens, que estarão longe da sua aldeia natal de Garut, na província de Java Ocidental, na extensa nação do Sudeste Asiático.

"Não carregamos apenas a Voice of Baceprot, mas também o nosso país", disse a baixista Widi Rahmawati, de 23 anos, à Reuters.

Com as batidas impetuosas de suas guitarras e percussão complexa, o Voice of Baceprot -- que significa "ruído" -- foi capa da revista britânica New Musical Express e recebeu aplausos do ex-guitarrista do Rage Against the Machine, Tom Morello.

Além da música, as três querem desafiar os estereótipos de que as mulheres muçulmanas são recatadas e fracas, ou de que os muçulmanos em geral são militantes violentos, conta a vocalista e guitarrista Firda Marsya Kurnia, de 24 anos.

A Indonésia é a maior nação de maioria muçulmana do mundo, com os muçulmanos representando 90% dos seus 270 milhões de habitantes. O país é secular e a grande maioria pratica uma forma moderada do Islã, embora existam alguns redutos conservadores.

A banda canta sobre o empoderamento feminino – lamentando a fixação na aparência em vez da música – e no meio ambiente, disse Marsya.

Widi, Marsya e a baterista Euis Siti Aisyah, de 24 anos, se conheceram em uma escola islâmica e formaram a banda em 2014. Quando crianças, foram imersas no pop indonésio e na música islâmica, disse Widi.

O amor pelo metal surgiu depois que ouviram o álbum "Toxicity" da banda americana System of a Down. Elas escutaram as músicas no computador do orientador escolar, que, segundo elas, era o seu maior apoiador.

Isso as encheu de adrenalina, disse Marsya, então começaram a tocar suas próprias músicas.

Marsya disse que o desafio mais difícil para a Voice of Baceprot foi lidar com estigmas, tanto em seu país quanto no exterior.

"Em nosso vilarejo, o metal é considerado satânico - não é adequado para mulheres, muito menos para mulheres com hijabs", disse Widi, referindo-se aos lenços de cabeça.

Marsya disse que sua família uma vez sugeriu que ela procurasse um ritual de cura islâmico, na esperança de expulsar seu amor pelo metal.

"No início, sentimos que não tínhamos um lar para onde voltar", disse ela.

Ela disse que, em uma audiência nos EUA, as pessoas as chamaram de militantes. "Era como se fôssemos criminosas".

Depois de Glastonbury, Marsya disse que as três devem trabalhar em um novo álbum e em uma música "Mighty Island", que ela disse ser sobre a corrupção na Indonésia. Eles também querem criar uma comunidade com aspirantes a músicos em seu país, disse ela.

"Gostaríamos de capacitar a comunidade de lá", disse Marsya.

(Reportagem de Stanley Widianto e Ananda Teresia)

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