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Kassin, Carlini, Nashville: Ivor lança o country rock 'The Grapes Are Dead'

Ivor Schnaidman, que lança o álbum "The Grapes Are Dead" - Divulgação
Ivor Schnaidman, que lança o álbum "The Grapes Are Dead" Imagem: Divulgação
do UOL

Bruna Monteiro de Barros

Editora-chefe de Splash

19/06/2024 16h00

2020, pandemia, nos trancamos em casa, aquela sensação de fim do mundo iminente. A melancolia enquanto passávamos álcool nos objetos fez muitos de nós refletir que seres humanos tínhamos sido até ali. O que poderíamos ter feito e não fizemos? Na cabeça de Ivor Schnaidman, que atendia online seus pacientes, veio a pergunta "por que não gravei meu disco ainda?".

Se o coronavírus nos privou das apresentações ao vivo, deu à humanidade a capacidade de fazer coisas inacreditáveis remotamente. No caso de Ivor, foi gravar um disco, "The Grapes Are Dead", lançado em março em Dolby Atmos em todas as plataformas. O álbum foi todo produzido virtualmente entre seu estúdio e o de Alexandre Kassin, um dos grandes produtores do país, que já assinou trabalhos de nomes como Tim Maia, Caetano Veloso e Los Hermanos.

Criado no meio da música, o psicanalista lembra do cheiro da fumaça e dos cases de madeira quando pensa em infância. Sua mãe era cantora, tinha uma banda de formatura, seu pai, técnico de som, e ele teve contato com todos os instrumentos desde pequeno.

Aos 12 anos, tocava bateria, aos 15 anos, guitarra, e aos 16, já tocava profissionalmente. Naturalmente, acabou em uma faculdade de música —o Instituto Carlos Gomes, no centro de São Paulo—, onde se formou em 2008. Daí virou um operário do ofício: tocou bateria para duplas sertanejas e para Afonso Nigro —ex-Dominó—, guitarra para várias bandas e depois começou a cantar, até se jogar em vários outros instrumentos. "Considero que tudo isso foi um preparo para o álbum", avalia o músico, hoje com 36 anos.

A sua própria análise o levou à pós-graduação em psicologia clínica. "Inclusive, foi atendendo um paciente americano compositor na pandemia, eu em São Paulo e ele lá em Nova York, que, de certa forma ajudando no caminho dele, eu acabei encontrando o meu."

Quem apresentou Kassin a Ivor foi seu pai, Marcio Schnaidman, dono do estúdio Epah, um dos mais importantes do áudio brasileiro. "O Kassin é influente, muito foda, comecei a compor e mostrar pra ele", conta. De quem o inspirou, Ivor cita o rock clássico de Queen e Led Zeppelin, o grunge de Nirvana e Pearl Jam, Metallica e country, como o clássico Johnny Cash.

O country é o estilo da música de trabalho, "Back From Pluto", que ganhou um divertido videoclipe, mas sua sonoridade passa por todo o álbum, que foi masterizado em Nashville, a "capital" da country music norte-americana. Ivor explica que o álbum fala de vida, morte e recomeço. "É sobre visita a lugares que eu não queria visitar. Mas de onde volto com histórias para contar."

E que histórias... intensamente contadas em 10 faixas —que trazem também a guitarra de Luis Carlini, membro da lendária banda Tutti Frutti e dono do famoso solo de "Ovelha Negra", de Rita Lee.

Carlini estava presente na audição do disco e ficou impressionado com seu próprio som. "Essa guitarra é minha?"

A distância de 4 anos entre a gravação e o lançamento do disco deixou tudo muito etéreo. "As pessoas estavam ocupadas, teve muito vai e volta, foi tudo muito louco", descreve Ivor.

Agora chegou a hora de relembrar os caminhos das composições e tirar as músicas. O artista juntou uma banda e está preparando o show. The Malbec Three são Roy Carlini, Dmitri Medeiros e Adson Gaspar. Eles acompanham Ivor na missão de apresentar ao vivo "The Grapes Are Dead" e alguns covers. Será em julho em São Paulo.

Quando subir ao palco do La Iglesia, Ivor vai finalizar uma bela história. E começar outra, em forma de turnê.

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