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Esquecer o ex está difícil? Por que você não superou e como seguir a vida

Esquecer um amor nem sempre é fácil - iStock
Esquecer um amor nem sempre é fácil Imagem: iStock
do UOL

Colaboração para Universa, em São Paulo

17/06/2024 04h00

Quando um relacionamento amoroso acaba, um dos motivos dessa fase ser tão difícil é físico! Segundo um estudo publicado pela revista "PLOS ONE", o amor funciona como uma droga em nosso organismo e, quando rompemos, é como se estivéssemos passando por um período de abstinência.

Biologicamente falando, funciona assim: nós nos apaixonamos e, automaticamente, o nosso corpo produz a dopamina, conhecida como hormônio do prazer, e oxitocina, que é hormônio do apego. Aí, quando terminamos, adeus hormônios. Resultado: o cérebro gera um estado de tristeza e dor —e acontece igualzinho com os dependentes químicos.

Saindo do biológico para o psicológico, existem diversos motivos para não conseguirmos esquecer um ex-amor: desde o simples hábito da convivência até as formas mais profundas de amor e adoecimento.

Um prazo para o luto?

Sim, podemos chamar assim aquele período em que sofremos para desapegar. A boa notícia é que a ciência garante: esse quadro muda em três meses desde o rompimento. A Universidade do Estado de Minnesota acompanhou 1.400 pessoas que haviam terminado o namoro. Os pesquisadores perguntaram a eles semanalmente como estavam se sentindo e descobriram que, em média, todos estavam recuperados em 11 semanas.

Algumas literaturas dão um prazo de mais ou menos um ano. Porém, os fatos científicos são controversos, afinal desapegar e esquecer é algo muito relativo. É possível esquecer num curto ou longo prazo, ou talvez nunca esquecer. Depende de como essa relação se constituiu.

Ainda assim, fica o aviso. Se o seu rompimento aconteceu há mais de um ano e você ainda sofre demais com isso, é melhor buscar ajuda profissional para tratar essa angústia. Quando o fato toma conta da rotina pessoal, sem conseguir ter interesse por outras atividades ou pessoas, pode ser hora de procurar um terapeuta. Uma das terapias mais indicadas é a cognitiva comportamental, que tem uma abordagem mais específica, breve e focada no problema atual do paciente.

Uma questão de atitude

Terminou? O primeiro passo (e o mais importante) é aceitar o fim. Esse definitivamente é o caminho mais curto para uma recuperação. O próprio pensamento de que está superando pode ajudar, também.

Em seguida, é hora de agir. Trate de se livrar de objetos que trazem lembranças. Quem não quiser jogar no lixo ou dar para alguém, pode enfiar tudo numa caixa e esconder em algum lugar. O que vale mesmo é tirar do alcance dos olhos.

E como vivemos na era digital, a mesma atitude vale para seu computador, celular, tablet etc. Cortar contato e excluir o ex-amor das redes sociais não é sinal de imaturidade. Contudo, para cicatrizar, essa mudança tem que partir de dentro para fora. Ou seja, não adianta fazer por fazer. Por isso é tão importante admitir que tudo acabou de fato. Só assim você estará pronta para esquecer.

Você também pode aproveitar os benefícios da web para se distrair e acelerar o processo de esquecimento. Inclusive, alguns apps são feitos exatamente para quem quer apagar a existência dos ex-amores da memória. Geralmente, eles liberam tarefas diariamente para você lidar com o término.

Não me procures mais, assim será melhor, meu bem

É o que diz o hino do rompimento, "Devolva-me", música cantada por Adriana Calcanhotto. Mas, será mesmo preciso evitar tudo e qualquer contato? Novamente, vai depender da forma como o fim chegou. Se foi um rompimento pacífico, talvez o afastamento total ou muito prolongado nem seja necessário. Porém, existem as relações que são extremamente tóxicas. Nessas, temos que manter a distância por tempo indeterminado.

Muitos ex-casais tornam-se amigos. Caso decidam manter contato, o que importa mesmo é compreender que aquela relação que vocês tinham acabou e que uma nova precisa nascer. Com o tempo, o sentimento pode se transformar em amizade e carinho. Contudo, se for uma relação pautada em falta de respeito e afeto, dificilmente se converterá em uma relação de paz.

O perigo da fixação

É preciso saber diferenciar dor e obsessão, pois essa segunda é uma patologia. Isso acontece quando não se faz mais nada na vida a não ser pensar e arquitetar maneiras de atingir a outra pessoa.

Nos casos de obsessão, a pessoa passa a buscar algo que falta internamente e daí a procura é para algo que te falta como se fosse um alimento. Geram-se diversos sintomas e agravamentos, como angústia, ansiedade e depressão, atingindo o sistema límbico por exemplo, responsável pelas nossas emoções. Se isso acontecer, não há dúvidas: vá buscar ajuda, pois romper com alguém causa dor sim, mas não pode dominar a sua vida.

Fontes: Ângela Teixeira, psicóloga e professora universitária.

*Com informações de março de 2018.

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