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'Não escuto nem as minhas': por que Alceu Valença não costuma ouvir música?

Alceu Valença nos bastidores do São João da Thay, em São Luís - Lucas Ramos/Brazil News
Alceu Valença nos bastidores do São João da Thay, em São Luís Imagem: Lucas Ramos/Brazil News

Requisitado nas festas juninas, Alceu Valença reúne diferentes gerações ao redor de sua música. No entanto, o compositor de "Anunciação" e "La Belle de Jour" diz que não costuma ouvir suas próprias canções.

O cantor, na verdade, pouco escuta música no dia a dia. Ele explica que isso tem relação com a sua criação, afinal, não tinha rádio em casa quando era criança, nem incentivo do pai para se aventurar na música.

Vou te contar uma coisa: eu não sou uma pessoa de escutar [música]. Vou explicar o porquê. Quando garotinho, meu pai não queria que eu seguisse uma carreira artística. Ele achou que eu tinha jeito, mas naquela época era muito complicado seguir uma carreira. Então, o que aconteceu? Acabei me formando em Direito. Depois, abandonei tudo e fui fazer a minha música.
Alceu Valença

Quando passou na faculdade, seu pai até lhe deu "uma radiola", mas ele já não tinha o hábito de ouvir música. "Já estava jogando basquetebol, já estava em outra, assistindo a filmes franceses e querendo ser o tal do intelectual, lia sobre filosofia..."

Ao se formar na faculdade de Direito pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), ele decidiu "cair fora" e fazer música, usando as influências mais familiares e pessoais como referência para criar sua obra.

O que ficou na minha cabeça? O que eu já tinha ouvido de maneira natural: o alto-falante de São Bento, o meu avô tocando viola, tio Rinaldo tocando violão, a banda de Santa Cecília, os Carnavais que passavam na frente da minha casa, na Rua dos Palmares... Quem morava na minha rua? Maestro Nelson Ferreira, um dos maiores compositores de frevos. A música foi entrando na minha cabeça de maneira natural. Alceu Valença

Renovação do público

Natural de São Bento do Una, no agreste pernambucano, Alceu começou a carreira musical na década de 1970 e hoje, 50 anos depois, atrai diferentes gerações aos seus shows. No São João da Thay, festival no qual Splash encontrou o cantor, ele teve uma plateia bem diversa e viu o público com os hits na ponta da língua.

"Anunciação" e "La Belle de Jour", lançadas em 1983 e 1992, respectivamente, são exemplos de músicas que ultrapassam a barreira do tempo. A primeira é usada pela torcida do Fluminense para alavancar o time carioca até hoje, enquanto a outra — composta em homenagem à atriz Jacqueline Bisset — é um sucesso no streaming.

A arte não tem tempo não. A arte comercial se acaba, a arte que sai do coração não tem prazo. E eu provo isso aqui. Se você for olhar para 'La Belle de Jour', ela é um sucesso nas plataformas musicais.
Alceu Valença

*Splash viajou a convite da organização do São João da Thay

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