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Gil, do BBB 21, desabafa: 'Precisamos dar voz para todos os Gils'

Gil do Vigor em participação no "Papo de Segunda" - Vídeo/Reprodução
Gil do Vigor em participação no "Papo de Segunda" Imagem: Vídeo/Reprodução
do UOL

Colaboração para o UOL

17/05/2021 22h58Atualizada em 18/05/2021 00h47

Gilberto Nogueira, o Gil do Vigor, desabafou sobre o que sentia durante sua participação no "BBB 21" e o quanto acredita que ela foi importante para o combate a LGBTfobia.

"A gente grita, grita, mas parece que ninguém ouve. Isso era o que eu queria falar dentro do Big Brother. É o que eu falo agora e vou falar pra sempre. Precisamos dar voz pra todos os Gils que vivem no anonimato. Que sofrem, que apanham, que lutam, que gritam muito, gritam muito alto, mas não tem pessoas pra ouvir", contou o economista em participação durante o "Papo de Segunda" (GNT) de hoje.

"Então, é importante a gente acabar com isso. Dar proteção, meios e oportunidades para que as pessoas, de fato, abram a boca e falem: 'Não dá mais, estou passando por isso."

"Eu quis trazer voz dentro do programa. Essa era meu objetivo. Esse foi meu prêmio. Trazer voz pra aquele que grita grita grita e não tem recurso. É importante a gente acabar com isso. E dá proteção, dá meio", emendou Gil, contando que já havia sofrido ataques ontem, mas não tinha como recorrer. "Várias vezes na igreja, na universidade, em outros lugares, sofri ataques e não tinha para quem recorrer. Vou recorrer para quem? Tenho que chegar no trabalho 8h, sair 17h, ir para a faculdade 18h. Então assim, é aguentar calado e esperar, não tem muito como recorrer".

Gil comentou também o ataque homofóbico que sofreu por parte de um dirigente do Sport Club do Recife na última quinta.

"Meu medo era justamente esse. Quando veio esse ataque, me doeu, fiquei logo indignado, mas pensei: 'gente, era uma pessoa'. E tenho pena de atitudes assim. Que bom que eu fui abraçado pela torcida, pelos jogadores, por todo mundo... Que bom que somos muitos contra esses poucos que ainda não valem minha atenção (...) Ele que lute. O mal por si só se destrói. O que é de quem é ruim tá guardado e não sou eu que vou dar não", declarou.

"A gente vive uma realidade no Brasil. Tem muitos que já foram e ainda são assassinados. Tem muitos que dão a vida por isso. Essa data de hoje é muito importante. Isso trouxe uma pauta muito importante, uma visibilidade. Gente, pelo amor de Deus. 2021. Chega. Então saber que de alguma forma, mesmo sofrendo, eu consegui trazer esse debate pras pessoas... Tá tudo certo.", contou Gil.

Relação com a mãe e trajetória no BBB

No bate papo, Gil também falou sobre como foi o processo de libertação pelo qual passou durante o "BBB 21" e revelou que não tinha uma relação completamente aberta com a mãe, dona Jacira, a respeito de sua sexualidade.

"Eu nunca entro pela metade. Ou entro de cabeça ou não entro", contou Gil, revelando o que pensava durante os primeiros dias no reality show. "Vou entrar pra ser o Gil em todas as minhas versões, pra rir e pra chorar".

Gilberto falou ainda sobre ter pensado, em alguns momentos, que a mãe sentiria vergonha dele e contou o momento em que sua chave "virou" dentro da casa e ele percebeu que podia ficar em paz. De acordo com o economista, foi durante sua primeira liderança no programa, que o levou até a festa temática Rainbow.

"Eu não preciso ter medo. O arco-íris, ele tem que está em todo lugar. Eu entendi (ali) que eu não precisava (ter medo)", revelou, contando ainda como foi o momento em que escolheu a chave correta que o deu a liderança naquela semana. "Eu orei, perguntei a Deus da chave. Fechei o olho e vi o número 1. Peguei e fui certeza que Deus tinha me falado. Ele me ama e me aceita do jeito que eu sou".

"Não é só aceitar. É eu me aceitar e eu me entender. This is me ("Esse sou eu"), finalizou Gil, emocionado.

Relação sexualidade x Igreja

Gilberto comentou também a respeito sobre sua relação com a religião. Durante diversos momentos na casa, Gil demonstrou o quanto era religioso e, por diversas vezes, contou sobre as experiências que teve com a igreja, que está em sua vida desde cedo.

"Desde os 7 anos de idade", declarou Gil. "Minha rejeição começou lá atrás. Eu sempre procurei a religião. Eu acredito na doutrina, acredito no livro mórmon.", contou. O ex-BBB seguiu falando sobre como estranhava ao ouvir na igreja que pessoas afeminadas não "vão herdar o reino de Deus".

"Então eu já vou pro inferno? Eu calado tou errado. Isso me machucava. (...) Você nascer com um tipo de gesticulação que segundo a Bíblia, vai te levar pro inferno. Me machucava muito", desabafou, contando que, por diversas vezes, tentou mudar o seu jeito de gesticular - sem sucesso. "Eu treinei durante muito tempo, mas nunca deu certo".

Emocionado, Gil falou sobre os sentimentos que o acompanhavam durante essa época de conflito. "Deus é tão justo. Como ele vai me condenar ao inferno simplesmente por querer amar? Deus é tão justo e tá me privando de algo tão especial? (...) Nunca seria uma mulher. Sempre seria um homem. Eram histórias tão lindas, tão belas. Por que Deus ta me privando disso?", falou, revelando que foi bastante aceito e abraçado por seus líderes religiosos ao sair da casa e que é essa a mensagem que queria passar para todo mundo.

Cachorrada e Tiago Leifert

Questionado no programa, Gil não tardou em definir o que é a tão famosa 'cachorrada', que deixou marcada sua trajetória no programa.

"Fazer o que tem vontade de fazer e pronto", declarou Gil, falando ainda sobre a amizade que teve com Arthur Picoli, que, entre os telespectadores, virou o ship "Gilthur".

"Quem começou sonhando comigo foi ele. Ele vinha na porta e ficava me seduzindo", contou Gil, aos risos. "Na segunda festa, eu já queria arrastar Arthur pra piscina, já queria uma cachorrada. queria só viver, me esfregar, ser feliz."

Ao falar sobre o beijo que trocou com Lucas Penteado, o primeiro entre dois homens da história do reality show global, Gil se mostrou orgulhoso. "Minha gente, a vida inteira assisti beijo entre homem e mulher e nunca mudou minha vontade. (...) Eu tava entregue."

O economista agradeceu ainda a Tiago Leifert, afirmando que foi um "puxão de orelha" dele que o fez acordar para o jogo, logo após a volta de Carla Diaz do paredão falso. "Eu falei que tanto fazia, porque eu e Sarah já estava no paredão e ele falou 'quer que abra a votação logo?'", contou Gil, afirmando que aquilo o fez não desistir e continuar firme em sua trajetória - que o levou até a semifinal do programa;

Convite?

Perto do fim do programa, Gil do Vigor fez ainda um 'convite' e esclareceu a 'ficada' que já teve após o fim do programa.

"Que bom que tive essa coragem (de viver o programa). Que bom que aproveitei. Brasil, se você quiser cachorrar comigo, manda mensagem. Estou livre. Agora manda PCR", brincou Gilberto, esclarecendo a situação onde contou que havia ficado com um rapaz após o fim do programa e exigido PCR antes.

"A gente ficou. O que aconteceu, teve toda uma logística. Eu contei porque me perguntaram. O menino fez 2 PCR. Ai todo mundo lá. É mentira. Não é mentira, eu tenho print. Posso riscar o nome e botar. Foi verdade. Eu pedi 1, a benção fez 2. (...) Você quer meu corpo? A gente pode conversar. PCR em dia".

O "Papo de Segunda" vai ao ar toda segunda-feira, às 22h30min, no GNT.

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