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Profissionais da TV dizem que Disney impõe "cláusulas leoninas"

Disney está exigindo exclusividade total de profissionais do mundo do esporte da TV - Reprodução / Internet
Disney está exigindo exclusividade total de profissionais do mundo do esporte da TV Imagem: Reprodução / Internet
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

do UOL

Colunista do UOL

10/12/2020 00h09

Profissionais que trabalham no mundo esportivo na TV estão bastante decepcionados com os contratos que a Disney está oferecendo para que continuem trabalhando na pós-fusão entre os canais ESPN e Fox Sports.

Em maio o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) autorizou a fusão entre a Disney (que já era dona da ESPN) e a Fox no Brasil. Com isso, os canais Fox Sports em breve deixarão de existir (nota: a Disney não poderá mais usar a marca Fox).

A decisão do Cade ocorreu a despeito de ao menos um grande grupo espanhol ter feito oferta pelos canais Fox Sports —como esta coluna publicou com exclusividade em novembro de 2019.

No momento são dezenas de contratos que estão sendo analisados.

Muitos profissionais (da frente e atrás das câmeras) já receberam ofertas de renovação e recusaram. Outros, foram dispensados; e ainda há os que estão aceitando sem pestanejar. Veja os que já deixaram o grupo.

Nada além da própria Disney

Segundo esta coluna apurou, o motivo são as "cláusulas leoninas" que a megacorporação norte-americana exige que seus funcionários assinem.

Quem quiser ser contratado tem de abrir mão de manter sites, blogs, canais no YouTube, podcasts e muito menos trabalhar em rádios. A exclusividade é total.

Estão exigindo demais e oferecendo de menos, disse sob anonimato um dos profissionais procurados para continuar na pós-fusão.

Segundo essa fonte, a Disney estaria se aproveitando do fato de que o Fox Sports irá acabar, e do consequente "excesso de mão de obra esportiva" na TV, para oferecer contratos com valores bem abaixo do esperado —e com muitas exigências.

Fontes nas emissoras ESPN e Fox Sports disseram à coluna que também há casos de profissionais que estão dispensados também por suas posições políticas ou polêmicas em redes sociais.

É tradição na Disney —cujo público-alvo é a família e que foi criada em 1923 por Walt e Roy Disney— que seus contratados não tomem posições conflituosas ou polêmicas publicamente.

Isso vale no mundo todo. É mais ou menos algo do tipo: não dê dor de cabeça para quem paga seu salário por causa de suas opiniões ou preferências políticas.

Outro lado

Procurada pela coluna, a Disney, por meio de sua assessoria, enviou a seguinte nota nesta quinta-feira (10):

"Nosso pilar de esportes está passando por um processo de transformação para oferecer um conteúdo ainda mais variado e qualificado para a audiência do Brasil.

A reformulação faz parte do planejamento da Companhia que seguirá investindo em sua programação esportiva, contando com um extenso portfólio de direitos, além de uma equipe de jornalismo referência junto aos fãs de esportes".

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook, Instagram e site Ooops

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