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Após perseguição e ameaças, drag abandona Igreja Universal

Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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Colunista do UOL

21/11/2020 00h18

Segundo a influencer e drag Sophia Barclay, 18 anos, foram meses de ofensas, preconceito e maus tratos —culminando nas últimas duas semanas com ameaças de agressão e até de morte em redes sociais, por parte de supostos fiéis da Igreja Universal.

Convertida e fiel da Universal há cinco anos, Sophia agora desistiu da igreja, mas não de buscar justiça.

Ela constitui advogados e registrou Boletim de Ocorrência na Polícia do Rio.

À polícia listou e apresentou provas das ameaças que vem sofrendo em mensagens enviadas em suas redes sociais —ás quais a coluna teve acesso.

"Vai morrer e vai pro inferno. Nós vamos te infernizar", diz uma das mensagens.

"Você tentou nos queimar", diz outra, possivelmente em referência à denúncia que a influencer fez de maus-tratos dentro de um templo da Universal, no mês passado.

"Só te digo: cuidado na rua porque estamos observando seus passos", ameaçou por Instagram o perfil "claudiunobraz.filhodedeus". A coluna procurou o perfil, que tinha foto do autor, mas ele foi deletado em seguida.

"Você não vai viver para contar igual a Andressa Urach, estamos de olho em tu", ameaçou outro perfil.

Ameaças insistentes

A coluna enviou as mensagens ao departamento de Comunicação da Universal, que disse não ter identificado agressores entre seus membros e voltou a falar que aceita a diversidade (veja íntegra da nota ao final deste texto).

"Não piso nunca mais na Universal. A igreja acabou com minha crença, acabou com minha saúde psicológica, eu não estou saindo de casa, eu entrei em pânico e estou fazendo tratamento", contou a influencer de 20 anos à coluna.

"A gente não ser aceito dentro de uma igreja ´so por causa da nossa sexualidade? isso é cruel. Mexeu muito comigo. Estou destruída", afirmou.

Sophia diz ter entrado para a Universal depois que leu que Edir Macedo disse em 2015 que gays eram "bem-vindos".

"Ele falou que a gente seria bem recebido. Como os fiéis fazem uma coisa dessa? Quem é essa gente para perseguir os outros?"

No mês passado Sophia e um amigo já haviam declarado ter sido vítimas de maus-tratos na igreja que ela frequenta, na rua Barão de Laguna 150, em Santa Cruz, zona oeste do Rio.

Outro lado

A coluna enviou à igreja cópias das mensagens e até a foto de um dos perfis que estavam ameaçando Sophia.

A Igreja enviou a seguinte nota, por meio de sua Comunicação:

"A Igreja Universal do Reino de Deus nega qualquer participação no episódio. A atitude e o teor das mensagens desse rapaz (da foto enviada pela coluna) —e não temos qualquer indicação de que ele realmente seja um obreiro da Universal— além de ridículos, não condizem com o que a igreja acredita e faz (Assinado: UNIcom — Departamento de Comunicação Social e de Relações Institucionais da Universal)."

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook, Instagram e site Ooops

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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