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Doria discute com Datena sobre CoronaVac e diz: 'Você não é médico'

do UOL

Do UOL, em São Paulo

22/10/2020 19h50

O governador de São Paulo, João Doria, e o apresentador da TV Bandeirantes, José Luiz Datena, discutiram hoje durante entrevista no "Brasil Urgente".

Enquanto debatiam sobre isolamento social, o jornalista questionou por que Doria dizia que "o pior já passou" enquanto brigava tanto pela vacina. O político retrucou e afirmou que Datena não era médico para discutir sobre o assunto e que deixava a questão para os especialistas do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo.

"Datena, volto a repetir para você: são 20 médicos especialistas que cuidam disso, não é determinação minha e nem será sua, com todo respeito que você merece, mas você fica insistindo nisso, você não é médico, não é infectologista, não é especialista. Por isso eu sigo as orientações dos médicos", afirmou João Doria.

"Nem o senhor é médico, quantas pessoas morreram em São Paulo? São 111 pessoas que morreram em São Paulo [nas últimas 24h]. É quase a metade da França inteira, quase que o total da Espanha inteira, e lá os caras estão fechando tudo e aqui a gente está em fase amarela", retrucou Datena.

No programa, Doria repetiu que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estaria cometendo uma "atitude criminosa" ao vetar a compra da CoronaVac. "Se o presidente Jair Bolsonaro confirmar que, mesmo com a aprovação da Anvisa, ele vai negar o acesso a uma vacina que pode salvar a vida dos brasileiros, será uma atitude criminosa e ele poderá ser classificado como tal perante um tribunal de justiça".

Pré-candidatos ao Palácio do Planalto em 2022, Doria e Bolsonaro estão travando um embate público em torno da vacina. O presidente disse ontem que mandou "cancelar" o protocolo de intenções assinado na terça-feira pelo Ministério da Saúde para a aquisição de 46 milhões de doses da vacina da farmacêutica chinesa Sinovac.

De acordo com Bolsonaro, Doria teria distorcido o que foi acordado com o Ministério da Saúde. "Ele tem um protocolo de intenções, já mandei cancelar, se ele assinou. Já mandei cancelar. O presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade, até porque estaria comprando uma vacina que ninguém está interessado por ela, a não ser nós".

'Anvisa tem autonomia'

Doria, que se reuniu ontem com representantes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), afirmou em entrevista ao Datena que "não há nada que nos faça duvidar da autonomia e isenção da Anvisa em relação à vacina do Butantan para análise e aprovação".

O governador ainda ameaçou denunciar publicamente um comportamento da agência a favor do presidente. "Se a Anvisa tiver protelatório para atender pretensões do Bolsonaro, portanto, de uma visão equivocada, partidária, política, eu denunciarei isto publicamente e agirei judicialmente".

Depois da reunião com Doria, entretanto, a Anvisa fez um aceno ao governo federal ao destacar que "ainda que o pedido de importação seja autorizado, a vacina não pode ser aplicada na população, tendo em vista que a Coronavac não possui registro sanitário no Brasil".

Por fim, a agência diz que "reafirma o compromisso de trabalhar de forma técnica e com a missão de proteger a saúde da população brasileira". Na segunda-feira, a CAS (Comissão de Assunto Sociais) do Senado aprovou a indicação do militar Antônio Barra Torres como diretor-presidente substituto da Anvisa.

Governadores querem acionar STF

Ontem, Doria disse que a intenção dos governadores é esperar ao menos até amanhã (23) para tomar uma medida sobre a decisão do presidente Bolsonaro de mandar cancelar a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac.

Ele ainda comentou sobre uma possível judicialização da questão e não descartou acionar o STF (Supremo Tribunal Federal). "Vamos esperar pelo menos 48 horas. Se até sexta-feira não houver nenhuma medida de recuo por parte do governo federal para fazer aquilo que deve fazer, apoiar as vacinas, inclusive a vacina do [Instituto] Butantan, que é a vacina do Brasil, nós saberemos quais medidas poderão ser adotadas, seja por São Paulo, seja pelos governadores".

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