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Luciano Huck promete moto a entregador que sofreu racismo em Valinhos

Matheus Pires e Luciano Huck em conversa pelo Instagram - Reprodução/Instagram
Matheus Pires e Luciano Huck em conversa pelo Instagram Imagem: Reprodução/Instagram
do UOL

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/08/2020 17h27

Luciano Huck conversou, na tarde de hoje, com o entregador de aplicativos Matheus Pires, que sofreu ofensas racistas em Valinhos (que fica a 79 km de São Paulo). No bate-papo, o apresentador reservou uma surpresa ao rapaz.

"Vergonha, tristeza e revolta. Foi o que senti quando recebi este vídeo. Nele está tudo contra o que lutamos. Matheus Pires foi corajoso e não baixou a cabeça pro preconceito. Temos de nos unir à luta de Matheus para mudar o Brasil. Este vídeo é revoltante. É um dever como cidadão denunciá-lo", escreveu o apresentador na legenda da postagem, feita pelo Instagram.

Matheus explicou, durante a conversa, que o agressor afirmou que ele sentia "inveja" de sua cor e que se sentiu constrangido com a situação. O entregador abriu um boletim de ocorrência contra o homem. O caso viralizou nas redes sociais durante a manhã.

Ele ainda disse que estava trabalhando com a moto que pertence a seu pai, pois a sua estava com o motor fundido. Luciano, então, se comprometeu a ajudá-lo. "A moto que fundiu o motor... Conta comigo!", disse, afirmando que falará com parceiros comerciais para entregar uma moto nova a Matheus, que se mostrou emocionado.

Entenda o caso

O vídeo de um ato de discriminação viralizou na internet hoje. As imagens feitas por um morador de um condomínio residencial de alto padrão em Valinhos mostram um homem branco xingando e humilhando um entregador de aplicativo negro por causa de um atraso na entrega.

O caso aconteceu em 31 de julho, mas só repercutiu após a mãe de Matheus Pires, 19, publicar as imagens nas redes sociais na noite de ontem. Um boletim de ocorrência para investigar o crime de injúria racial foi aberto na delegacia da cidade, e o agressor, o contabilista Mateus Abreu Almeida Prado Couto, até agora não prestou depoimento. A punição prevista para esse tipo de crime é o pagamento de multa ou reclusão de 1 a 6 meses.

O episódio aconteceu quando Matheus, que é motoboy a serviço do iFood há pelo menos um ano, entregava uma refeição no condomínio.

É inadmissível vermos ainda essa cena e não ficarmos indignados.
.
Não temos inveja de nada que essa "pessoa" fala. Temos sim, muito orgulho de nossas origens e conquistas.
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Racistas não passarão!
.#vidasnegrasimportam #levantenegro#somosfeitosdeluta#racismoecrime#respeito pic.twitter.com/rQ4KMWDD9b

-- EmersonOsasco (@emersonosasco) August 7, 2020

Chegando ao local, no bairro Chácara Silvania, ele diz que enfrentou um problema no interfone. Por não conseguir falar com o cliente, atrasou a entrega. "Quando cheguei na casa, ele [o morador] já veio com xingamentos", disse.

Um vizinho começou a filmar apenas depois de a discussão começar. É possível ver Matheus sendo chamado de "lixo" e "semianalfabeto". O agressor diz ainda que o jovem tem "inveja da vida que as pessoas dali têm", e afirma que o profissional não tem onde morar, nem "nunca vai ter nada disso aqui". Em dado momento, o homem branco aponta para o braço e diz que o entregador negro tem inveja daquilo, mas nunca poderá ter aquilo.

O entregador responde a cada frase, pedindo respeito.

Eu falei pra ele que essa era uma atitude que não era mais aceita. O que ele faz é pra se mostrar superior às pessoas
Matheus Pires, motoboy

Durante o vídeo, o agressor diz que "aqui não vai acontecer nada". Algo que não é captado pelas câmeras do vizinho é que Matheus acionou a Guarda Municipal. Mesmo na frente dos agentes, o homem continuou a xingá-lo, segundo o motoboy. "Uma hora, ele cuspiu em mim, jogou a nota do pedido no chão e disse que eu era lixo. Me chamou de favelado", afirmou o jovem.

O entregador conta que já havia entregado comida ao mesmo homem em outra ocasião. Na primeira vez, ele também afirma ter sido ofendido. "Ele foi grosseiro porque eu não tinha achado o endereço da casa dele, porque o mapa não mostrava as ruas internas do condomínio", disse. Matheus diz que não chegou a registrar queixa nesse caso.

O homem já protagonizou outros casos de discriminação e ofensas, segundo moradores do condomínio. Eles disseram que o agressor aparenta ter problemas de saúde mental e que o entregador não foi a primeira vítima. Ainda assim, há apenas um boletim de ocorrência registrado até o momento, justamente o que envolve Matheus.

O iFood informou, em nota, que está apurando os detalhes, e que vai colaborar com a polícia no que for preciso. O UOL tentou falar com o agressor, mas ele não atendeu às ligações. No condomínio, o porteiro diz que ele não estava na residência — não se sabe, oficialmente, o paradeiro dele.

Matheus afirma que, agora, quer apenas justiça. "E que ele aprenda que as pessoas têm o devido valor, seja qual for a profissão", disse.

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