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Gésio Amadeu morre aos 73 anos; ator brilhou por décadas na TV e teatro

do UOL

Do UOL, em São Paulo

05/08/2020 19h11

Nascido em Conceição do Formoso, zona da mata mineira, o ator Gésio Amadeu, que morreu hoje aos 73 anos, construiu uma sólida carreira no entretenimento, especialmente na televisão, durante mais de cinquenta anos com dezenas de trabalhos de marcantes.

Morte por covid

Gésio estava internado no hospital Santa Maggiore, em São Paulo, desde o dia 8 de junho, e lutava contra a covid-19. Mario Amadeu, seu filho, confirmou a morte em seu Facebook.

Meu pai acabou de falecer. Falência múltipla de órgãos. Por hora somente essa informação. Assim que possível postaremos mais

Quando tudo começou

O ator entrou em cena na TV na novela "Beto Rockfeller", da TV Tupi, criada pelo escritor Bráulio Pedroso. Ele foi um dos grandes incentivadores do início da carreira do artista, que ficaria famoso pelo carisma em papéis de coadjuvante.

Talentoso e eclético, Gésio passou por diversas redes de televisão. Na Tupi, fez novelas como "Éramos Seis", "O Direito de Nascer" e "Gaivotas", passando também por Bandeirantes, onde estrelou ("O Todo Poderoso" e "Os Imigrantes") e TV Cultura ("Paiol Velho").

Fama na Globo

Gésio em ação como Chico Criatura em Velho Chico - Globo/João Miguel Júnior - Globo/João Miguel Júnior
Gésio em ação como Chico Criatura em Velho Chico
Imagem: Globo/João Miguel Júnior

Seus trabalhos mais lembrados, no entanto, foram em novelas da Globo, como "Sol de Verão" (1982), de Manoel Carlos, e, principalmente, na primeira versão de "Sinhá Moça", no papel de Fulgêncio, um escravo que se rebela e ganha destaque dramático na trama —muito pelo talento de Gésio, que também estrelou o remake da novela e 2006.

Nos anos 1990, ele atuou ainda em "Renascer" e "A Viagem", pouco antes de também conquistar o público infantojuvenil em novelas como "O Beijo do Vampiro", "Sítio do Picapau Amarelo" e "Chiquititas", do SBT. Mais recentemente, participou na série "Bugados", do canal Gloob.

Com personagens secundários, quase sempre homens simples e de profundidade psicológica instigante, o ator também fez sucesso em papéis em folhetins como "A História de Ana Raio e Zé Trovão", "O Fantasma da Ópera" e "Terra Nostra".

Cinema e teatro

Paralelamente ao trabalho na televisão, Gésio Amadeu manteve uma profícua trajetória no teatro, estrelando mais de 30 montagens. Entre elas, "O Coronel de Macambira", "O Grande Grito", "O Colecionador de Crepúsculos" e "Falecida e Boca de Ouro", de Nelson Rodrigues.

No cinema, esteve filmes famosos como "A Moreninha", "Longo Caminho da Morte" e "Eles não Usam Black-tie", clássico de Leon Hirszman. Seu última participação foi em "Doutor Hipóteses, uma Alma Perdida na Pandemia", rodado este ano durante a quarentena.

Voz contra o racismo

Em uma de suas últimas entrevistas, concedida ao ator Carlos Vereza e publicada em maio no canal na TV Escola, Gésio Amadeu comentou sobre a carreira e criticou a discriminação racial que sentiu na pele por décadas e que ainda está presente no meio.

É muito importante que o negro faça parte dessa cultura. Porque não é como se ele tivesse o direito. E ele tem o direito como todos. Não só o negro bonitinho, o subalterno. Mas, sim, o negro, para competir de igual para igual dentro do seu trabalho
Gésio Amadeu (1947-2020), que deixa mulher e quatro filhos

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