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Pandemia de coronavírus no país dá impulso e novo fôlego à TV Escola

Logotipo da TV Escola - Reprodução
Logotipo da TV Escola Imagem: Reprodução
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

do UOL

Colunista do UOL

29/03/2020 11h43

Resumo da notícia

  • Emissora foi vítima da perseguição de hostes bolsonaristas
  • Ela perdeu o contrato ancestral que tinha com o governo federal em 2019
  • No entanto, com a pandemia, escolas tiveram de ser fechadas no país
  • Com isso, seu (excelente) conteúdo entrou no radar de Estados e municípios

Expulsa do Ministério da Educação no ano passado, achincalhada por seu ministro e hostes bolsonaristas fanáticas, a TV Escola vive um momento de renascimento e de "boom" na procura por seu conteúdo.

Infelizmente o motivo não é a mudança de paradigma do atual governo, avesso ao ensino, e sim devido à pandemia de coronavírus.

Comandada pela fundação Roquette Pinto, a TV Escola de repente se tornou uma opção para Estados e municípios obrigados a fechar suas escolas para reduzir o risco de contágio de alunos, funcionários e professores.

A coluna apurou que na última semana a 0direção da emissora UHF e sem fins lucrativos recebeu ao menos cinco consultas de secretários de Educação interessados em retransmitir parte ou integralmente seu conteúdo.

O fato é que, além de ter uma das melhores e mais baratas programações no país, a TV tem cerca de 500 horas-aula sobre praticamente todas as disciplinas no ensino médio.

Por exemplo: há uma infinidade de aulas sobre o período imperial brasileiro para 7ª e 8ª série.

Ou aulas de matemática e português para 5ª série ou o 3º grau do ensino médio. Há muito conteúdo inédito ainda.

A emissora tem possibilidade de "recortar" o sinal de sua programação em diferentes unidades da federação e permitir sua retransmissão, desde que esses Estados tenham sua próprias TVs.

Ela também pode fornecer conteúdo a emissoras comunitárias ou outras TVs públicas, como Tvs legislativas.

Só falta acertar valores, já que a transmissão da emissora por satélite e sua manutenção custam caro (cerca de R$ 50 milhões anuais).

A direção da TV Escola está negociando valores e contrapartidas com secretários municipais e estaduais neste momento.

A Roquette Pinto, além da TV Escola, também mantém uma outra emissora dedicada inteiramente a pessoas portadores de deficiência auditiva, a TV Ines.

Vítima da ignorância

No ano passado o governo federal cortou verbas, cancelou o contrato e passou a solapar a emissora até provocar uma demissão em massa de funcionários. O Ministério da Educação era parceiro do veículo.

Bolsonaristas que nem sequer conheciam sua programação passaram a divulgar uma série de "fake news" e desferir ataques à emissora sob acusação de ser de esquerda.

No entanto, qualquer um que conhecesse sua programação poderia atestar a burrice ou má intenção (ou ambos) dessa campanha difamatória e irracional.

Dias atrás o próprio Jair Bolsonaro voltou a atacar a emissora, elogiando o ministro da Educação, Abraham Weintraub, dizendo que ele "economizou" R$ 500 milhões com o fim do contrato da TV Escola.

Mais uma mentira e/ou distorção: o contrato aprovado pelo próprio Weintraub no ano passado —e depois rasgado pelo governo— previa cerca de R$ 42 milhões anuais.

Ou cerca de R$ 200 milhões por cinco anos.

Em dezembro passado o presidente já havia acusado governos anteriores de "jogar dinheiro fora" com a manutenção da TV.

E a TV Brasil, Bolsonaro

Bolsonaro se esqueceu, porém, que passou a campanha eleitoral de 2018 prometendo que fecharia a TV Brasil —essa sim, custando mais de R$ 500 milhões anuais—, e não só NÃO cumpriu a promessa e não a fechou, como passou a "aparelhá-la" com correligionários.

Exatamente a mesma atitude dos governos petistas que ele tanto atacou.

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