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Grupo espanhol faz oferta por canais Fox Sports; Disney avalia

Logotipo da MediaPro, conglomerado espanhol interessado em comprar canais Fox Sports da Disney - Reprodução/MediaPro
Logotipo da MediaPro, conglomerado espanhol interessado em comprar canais Fox Sports da Disney Imagem: Reprodução/MediaPro
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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Colunista do UOL

21/11/2019 08h28

Resumo da notícia

  • No dia 11 o Cade suspendeu a compra da Fox pela Disney
  • Suspensão ocorreu porque Disney não vendeu canais Fox Sports
  • Venda era condição básica para aprovação da fusão
  • Agora grupo espanhol MediaPro faz proposta oficial pelos canais
  • Fox Sports 1 e 2 têm preço estimado em US$ 200 milhões

O grupo de mídia espanhol MediaPro fez uma proposta formal pela compra dos canais Fox Sports no Brasil, que pertencem à Disney Company. Esta coluna traz hoje detalhes exclusivos.

Os valores não foram revelados até o momento mas o mercado estima que os canais Fox Sports valham cerca de US$ 200 milhões. Entre outros eventos internacionais a Fox Sports detém os direitos da Libertadores.

A proposta da MediaPro chegou poucos dias antes de o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) já ter decidido pela suspensão da fusão Disney-Fox no Brasil (por ao menos 45 dias).

O motivo da suspensão foi justamente porque a Disney não conseguiu vender a tempo os canais Fox Sports. O Cade já havia prorrogado o prazo uma vez e a venda é uma das condições "sine qua non" para o aval à fusão.

Segundo a coluna apurou o órgão de controle econômico já sabia extra-oficialmente da oferta do conglomerado espanhol à Disney, mas optou em suspender tudo, em vez de dar novo prazo. Na prática deu "na mesma".

Para que a proposta seja oficial, antes de mais nada, a Disney deve aprová-la.

Negócio de US$ 70 bilhões

A compra da Fox pela Disney é um processo internacional. A segunda desembolsou mais de US$ 70 bilhões pela primeira (quase R$ 300 bilhões).

Como os dois grupos têm presença cosmopolita, cada país deve aprovar ou não a fusão de acordo com sua legislação.

No caso do Brasil há regras que impedem a concentração de conteúdo em uns poucos grupos.

Mesmo a Globo, que é "dona" de vários eventos, muitas vezes precisa revendê-los. Não só pelo dinheiro, mas também para cumprir muitas vezes regras contratuais.

A aprovação da fusão no Brasil não envolve dinheiro, mas afeta milhares de pessoas --os empregados das empresas em cada país e suas famílias.

Somente Brasil e México ainda não aprovaram a fusão. Aqui a decisão do Cade provocou uma reviravolta nas expectativas.

Quem é a MediaPro

Pouco conhecida dos brasileiros, sediada em Barcelona, a MediaPro é um grupo responsável pela gestão dos direitos internacionais de TV de La Liga, titular para a Espanha dos direitos da Uefa Champions League, Uefa Europe League e Libertadores, entre outros eventos.

A empresa se diz "líder no setor audiovisual europeu", especializado em integração, produção e distribuição de conteúdo.

Tem quase 7.000 funcionários alocados em 58 países.

Suas produções já ganharam dois Oscar, dois Globo de Ouro, entre outras premiações mundo afora. Entre seus mais de 50 filmes estão "Vicky Cristina Barcelona" (2008) e "Meia-Noite em Paris" (2011), ambos de Woody Allen.

Fusão ESPN-Fox mais longe

A proposta da MediaPro à Disney pode ser boa para os funcionários da ESPN e da Fox Sports.

Explico: na semana passada, após a decisão do Cade, surgiu forte rumor de que a decisão do órgão abria brecha até para a fusão dos dois canais num só.

Detalhe: O nome do "novo" canal necessariamente seria ESPN, porque a Disney não comprou a marca Fox --que continua sob o domínio do bilionário australiano Keith Rupert Murdoch.

Se a oferta do MediaPro for aprovada boa parte dos empregos de ESPN e Fox Sports seria salva.

Isso porque uma das consequências óbvias de qualquer fusão é o corte de vagas sobrepostas. Leia-se: demissões em massa.

Numa eventual fusão também haveria uma grande concentração de conteúdo num só grupo, de forma que a manutenção de dois canais --e não apenas um-- também parece favorecer a livre concorrência.

O grupo espanhol enviou sua proposta ao Banco ING, responsável pela negociação no Brasil.

Se a Disney, e depois o Cade concordarem, a "suspensão" pode ser cancelada e o acordo ser oficialmente referendado.

Mas a palavra final será da Disney.

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