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Francesa acusando Polanski de estupro enviou carta à esposa de Macron

09/11/2019 15h41

Paris, 9 Nov 2019 (AFP) - A francesa Valentine Monnier, que acusa o cineasta franco-polonês Roman Polanski de estupro em 1975 na Suíça aos 18 anos, enviou duas cartas à esposa do presidente francês Brigitte Macron, que as transmitiu a dois membros do governo, informou seu gabinete neste sábado.

O testemunho dessa francesa foi publicado na sexta-feira pelo jornal francês Le Parisien. Na história, ela acusa Polanski de espancá-la e estupra-la em 1975 em sua casa em Gstaad (Suíça), acusação que é adicionada às de outras mulheres nos últimos anos.

Monnier diz que desde 2017, incentivada pelo escândalo de Weinstein nos Estados Unidos, contou sua história em cartas enviadas a várias autoridades, incluindo a esposa de Emmanuel Macron e a polícia de Los Angeles na Califórnia.

O gabinete de Brigitte Macron confirmou que encontrou o correio, datado de 2018, no qual Monnier reclama especialmente "da ausência de uma resposta da Secretária de Estado para a Igualdade de Gênero", Marléne Shiappa, outra das responsáveis pelo que escreveu.

"Respondemos em fevereiro de 2018 para dizer a ela que Brigitte Macron não poderia intervir em processos judiciais e que transmitimos sua correspondência para Marlène Schiappa", acrescentou.

A secretária de Estado respondeu à fotógrafa em março de 2018 em uma carta em que elogiava sua coragem "por ter ousado quebrar o silêncio" por mais de quatro décadas.

Schiappa "compartilha" sua dor, enquanto observa que "os fatos prescreveram para a justiça francesa", segundo esta carta comunicada à AFP na sexta-feira por seu escritório.

Monnier também escreveu para a esposa do presidente francês em 2019 "sobre o financiamento do ministério da Cultura par ao filme de Polanski 'Eu Acuso'".

"Nós respondemos recorrendo ao [Minstério da Cultura] Franck Riester", continuou o gabinete de Brigitte Macron.

O advogado do cineasta, Hervé Temime, afirma de sua parte que Polanski "nega veementemente qualquer acusação de estupro" e ressalta que os fatos alegados que remontam a quase 45 anos "nunca foram divulgados perante a autoridade judicial".

Le Parisien publicou esse depoimento alguns dias antes da estreia do novo filme do cineasta, que ainda está na mira da justiça americana no âmbito de um processo de peculato infantil iniciado contra ele em 1977.

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