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Festival de Inverno de Garanhuns celebra essência do folclore brasileiro

23/07/2019 12h37

Nayara Batschke.

Garanhuns (Pernambuco), 23 jul (EFE).- Os tambores do maracatu, a literatura de cordel e o cheiro de vinho lotam durante dez dias as ruas da cidade de Garanhuns, no interior de Pernambuco, que se transforma em epicentro da cultura brasileira com a 29ª edição do Festival de Inverno, realizado entre os dias 18 e 27 de julho.

As tradições negras e indígenas, os shows de rock, os palhaços de circo e os ritmos do forró, do frevo e do maracatu convivem em harmonia no evento.

A rotina tranquila da cidade, de 130 mil habitantes e a 230 quilômetros de Recife, se transforma em uma intensa experiência multissensorial ao ar livre, com mais de 500 atrações distribuídas por 20 espaços.

Em uma das principais avenidas da cidade, conhecida como "Suíça pernambucana", o público rapidamente se rende à percussão do maracatu, que convence até os mais tímidos a arriscar alguns passos.

"Adoro o frevo e o maracatu, é impossível não dançar. A cultura do nordeste é muito rica e temos que mostrá-la ao mundo. Viemos fazer uma grande festa", declarou à Agência Efe a pedagoga Flaviane Rodrigues, assídua frequentadora do festival e que viajou mais de três horas com toda a família.

"Gosto da música e do circo, mas gosto mais dos cachorros-quentes e dos doces. O meu favorito é a cocada", completou o pequeno Pedro, filho de Flaviane.

Além disso, as coreografias do frevo se intercalam com espetáculos de música clássica e das bandas de rock nas calçadas da cidade.

Quando cai a noite, é a hora de muito forró. Nem a intensa chuva e o vento frio foram capazes de afugentar os espectadores, que se abrigavam sob seus guarda-chuvas e aproveitavam o calor das suas xícaras de chocolate quente, fondue de queijo e taças de vinho.

"As pessoas vêm por isso, para curtir o frio, a chuva e escapar do calor que faz no resto da região. Os casacos, as luvas e os chapéus são parte da experiência única do festival", destacou o psicólogo Tarcisio Dutra.

Dutra acrescentou que o atípico clima da cidade é o seu principal "encantamento", já que contrasta com a ideia do imaginário popular de que o nordeste se resume a belas praias e verão constante.

Mas o Festival de Inverno de Garanhuns não é só festa. O evento também é um espaço de formação, educação e resistência, onde o objetivo é fomentar a pluralidade de ideias e alçar a voz contra o preconceito.

"O festival ensina a cultura dos povos mais discriminados no Brasil, que são os negros e os indígenas. Com o governo (do presidente Jair) Bolsonaro, a cultura indígena está à beira da extinção", denunciou N'golo Rafael Domeniqui, da tribo dos Carijós.

Na mesma linha, a dançarina Virgínia Lucia, integrante do grupo de maracatu "Nação Raízes de Pai Adão", afirmou que, em tempos de "escassez de cultura", é fundamental divulgar a "pluralidade" de Pernambuco e do Brasil.

"É preciso divulgar internacionalmente a nossa riqueza. Temos que incentivar as políticas culturais e apresentar a vasta cultura do nosso estado e do nosso país", frisou.

Até o dia 27 de julho, quando a cantora Maria Rita encerrará a maratona cultural, dezenas de milhares de visitantes irão às ruas de Garanhuns para descobrir as raízes de algumas das mais ricas tradições populares do Brasil.

"O nosso festival já é um símbolo de Pernambuco e todos na cidade trabalham durante o ano todo para se transformar em anfitriões de um período realmente mágico", declarou o comerciante André Gonçalves, nascido e criado em Garanhuns. EFE

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