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Por que Houdini se tornou o mágico mais famoso do mundo e fascina até hoje

Library of Congress/Getty Images
Harry Houdini em registro feito por volta do ano 1899 Imagem: Library of Congress/Getty Images
do UOL

Osmar Portilho

Do UOL, em São Paulo

2019-06-25T04:00:00

25/06/2019 04h00

O indiano Chanchal Lahiri perdeu sua vida na semana passada ao tentar reproduzir uma performance clássica de Harry Houdini. A ideia dele, que atendia também por Mandrake, era se lançar em um rio amarrado por cordas e correntes e se soltar ainda debaixo d'água, mas o truque não deu certo.

A versão original deste truque foi executada por Harry Houdini em junho de 1912, quando o húngaro-americano foi colocado dentro de um caixão com as mãos e pés algemados e presos a 90 kg de chumbo no East River, em Nova York. Houdini se soltou 57 segundos depois e subiu ileso à superfície.

Hoje, 107 anos depois da façanha, Houdini segue como referência no escapismo e seus truques ainda são reproduzidos por outros mágicos. Mas por que ele se tornou tamanho ícone no mundo da mágica?

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Harry Houdini durante performance em Boston, em 1908 Imagem: Library of Congress/Getty Images

Eric virou Harry

Nascido em 24 de março de 1874 em Budapeste, na Hungria, Erich Weisz se mudou ainda jovem para os Estados Unidos. Assumiu o nome artístico de Harry Houdini por volta dos 20 anos de idade, quando se lançou na carreira de mágico. Embora suas habilidades com truques não impressionassem muito seus competidores, sua habilidade com algemas e escapismo rapidamente decolou.

Em 1899, atraiu a atenção de Martin Beck, um empresário especializado em entretenimento que rapidamente encheu a agenda de Houdini, que agora já tinha um dos shows mais disputados dos teatros.

Indiano morreu ao tentar reproduzir truque de Houdini

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A arte do escapismo (e do negócio também)

O segredo de Houdini tinha por trás dois elementos: força física e facilidade de destravar trancas. Algemas, camisas de força, cadeados e correntes não eram páreo para suas habilidades. Em 1912, mesmo ano que realizou o truque no East River, também fez sua performance mais ousada: Chinese Water Torture Cell. Houdini era suspenso por seus pés e trancado dentro de um gabinete de vidro cheio de água, onde ficava sem respirar por três minutos até escapar.

Além de façanhas improváveis, Houdini e seu agente tinham muita noção de marketing e de como transformar suas habilidades em espetáculos cheios de tensão e drama.

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Harry Houdini em 7 de julho de 1912, momentos antes de se lançar algemado no East River, em Nova York Imagem: FPG/Getty Images

"Na época, ele era muito bom, porque ninguém fazia o que ele fazia. E claro que teve muito marketing envolvido. Ele era muito inteligente, porque chamava os órgãos de imprensa, os jornais, fazia tudo em praça pública, no rio", disse Ossamá Sato, ao UOL. "Estudiosos dizem que Houdini, em um contexto de revolução industrial e de opressão, era considerado como o homem que pregava a liberdade. Ele podia ficar preso em uma camisa de força e conseguia escapar. Estava em uma jaula e escapava desta jaula".

Para o ilusionista brasileiro, havia muita simbologia também nas performances de Houdini, principalmente por muitas vezes os truques não serem extremamente técnicos. "Se for analisar bem, escapar de uma camisa de força não é algo extraordinário, mas foi simbólico, porque virou uma representação na mente da população que o assistia. Por isso ele virou um mito e até hoje é o mágico mais icônico da história".

Houdini: Piloto de avião e cineasta

Não bastasse seu sucesso como escapista, Houdini ainda aproveitou sua fama e riqueza para explorar outras empreitadas. Em 1909, o mágico comprou seu primeiro avião e, em 1910, depois de algumas tentativas, realizou o primeiro voo de uma aeronave na Austrália - embora há quem diga que o primeiro voo tenha sido realizado meses antes por outro aviador.

No cinema, Harry Houdini protagonizou vários filmes como diretor ou protagonista. As histórias, obviamente, giravam em torno de suas habilidades de ilusionista.

Até a morte de Houdini é misteriosa

Harry Houdini morreu em 31 de outubro de 1926, aos 52 anos, em Detroit, depois de ser internado com a peritonite seguida da ruptura do apêndice. Tudo começou dois dias antes, antes de se apresentar no Princess Theatre, em Montreal. No incidente, o mágico, que era famoso por resistir a golpes na barriga - que também faziam parte de seu show, recebeu três socos de Jocelyn Gordon Whitehead ainda em seu camarim.

De acordo com testemunhas, os golpes teriam sido efetuados com muita força e subitamente, sem dar tempo de Houdini se preparar para o impacto. O ilusionista seguiu os dois dias posteriores enfrentando muita dor e febre, sempre ignorando os conselhos de procurar ajuda médica. Ainda existe a incerteza se a ruptura aconteceu por causa dos golpes ou se Houdini já estava enfrentando um caso de apendicite.

Fã canadense também quase perdeu a vida

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Dean, acorrentado e preso de ponta-cabeça em guindaste por uma corda em chamas Imagem: Mark Dadswell/Getty Images

O ilusionista Dean Gunnarson é fã de Houdini. Tanto que gosta de prestar homenagens ao mágico no dia 31 de outubro, data que marca a morte do húngaro-americano. Em uma dessas ocasiões, no ano de 1983, tentou replicar uma performance inspirada no feito do caixão de 1912. Ele foi algemado e acorrentando dentro de um caixão cuja tampa foi pregada antes de afundar no Red River, em Winnipeg.

Depois de ficar submerso durante 3 minutos e 47 segundos, o caixão com o canadense foi retirado das águas geladas do rio. Gunnarson estava pálido e não respirava. O ilusionista foi levado pela equipe de paramédicos e teve que ser reanimado na ambulância.

"Eu fiquei preso debaixo da água e morri. Eu tinha 19 anos e era muito inexperiente. Foi importante não entrar em pânico, ficar calmo e esperar minha equipe me tirar dali". Mesmo sendo atendido com agilidade, Dean escapou por muito pouco da morte.

"Eu lembro de desmaiar e me senti entrando em um túnel com uma luz no final. Minutos depois eu acordei na ambulância a caminho do hospital", completou.

Mesmo diante dos sustos pregados nestes arriscados números, o fanatismo por Houdini segue vivo na carreira de Gunnarson e tantos outros ilusionistas mundo afora.

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