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Com 26 anos de Globo, Caçulinha explica por que não está na televisão

Caçulinha em seu teclado, instrumento que o consagrou na TV - Vitor Garcia Zocarato/Divulgação
Caçulinha em seu teclado, instrumento que o consagrou na TV Imagem: Vitor Garcia Zocarato/Divulgação
do UOL

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

23/05/2019 04h00

"Estou à deriva." É como o músico Rubens Antonio da Silva, o Caçulinha, descreve sua ausência da TV. Ele está sem trabalhar desde março deste ano, quando deixou a TV Gazeta, onde fazia o programa "Todo Seu", de Ronnie Von.

"O programa passou para a hora do almoço e não tem mais música. Trabalhar com o Ronnie Von foi maravilhoso, agora vamos ver o que vou fazer", disse o músico de 78 anos.

No mesmo mês em que deixou a Gazeta, o programa que tornou Caçulinha conhecido fez 30 anos. O "Domingão do Faustão" foi o palco do multi-instrumentista por 26 anos. Tocou na banda do programa, em games, vinhetas e jingles de merchans. A visibilidade veio principalmente pela interação com Fausto Silva. Eles conversavam, faziam brincadeiras e provocações.

Em 2015, Caçulinha se viu sem função tanto na atração como na emissora e decidiu trocar de casa.

"A Globo mudou a programação. Tinha acabado o contrato com a empresa para a qual eu fazia o jingle. Terminou o contrato e fiquei esperando e ninguém arrumava nada. Parado eu não ficaria. Fizemos um acordo, eu era PJ [contrato como pessoa jurídica]. Fiquei um ano tocando 30 segundos por domingo. Queria tocar e não tinha mais o que fazer. Aí apareceu Ronnie Von e assinei contrato com a Gazeta. Foi uma decisão dos dois lados", explicou.

Caçulinha e Fausto Silva no "Domingão do Faustão" - TV Globo/Divulgação
Caçulinha e Fausto Silva no "Domingão do Faustão"
Imagem: TV Globo/Divulgação
Amigo de Faustão, o músico começou no programa com o apresentador, a quem conhece desde os tempos em que era músico de bailes no interior de São Paulo, nos anos 1970. Na época, o apresentador era repórter da Jovem Pan e fazia a cobertura desses eventos. Depois trabalharam juntos no "Perdidos na Noite", programa que passou por várias emissoras e, em 1989, foram juntos para a Globo.

Mesmo saindo depois de tanto tempo de casa - Caçulinha também trabalhou no "Sai de Baixo" por oito anos - o músico afirma não ter ressentimentos com a emissora.

"Não [tenho], tá doido. Eu era amigo do doutor Roberto Marinho. Inaugurei da Globo em São Paulo com os três filhos dele. Mantive um bom relacionamento. Nunca deram mancada comigo, tudo o que pedia eu tinha. Acho ignorância querer ser, ficar inimigo. Não tem cabimento."

Os 30 anos do Domingão

Desde o início do ano, o programa festeja os 30 anos e quadros como o "Pizza do Faustão" e vídeos no site oficial da atração e da Globo, o Memória Globo. Caçulinha não foi convidado ainda a participar.

"Se eu for homenageado, eu vou. Acho que [mereço], sim, porque sou do começo. Ele [Faustão] fala sempre em mim. Mas falar só... Eu queria ir lá, tocar acordeão com a banda que de vez em quando está lá. Ele sabe tudo o que eu toco."

Se recuperando de uma cirurgia na próstata, Caçulinha diz que recebeu convites para conversar sobre possíveis trabalhos da Rede TV! e de Rolando Boldrin, apresentador de "Sr. Brasil", na TV Cultura, mas vai esperar passar o período de repouso pós-operatório. Outro amigo especial também sempre o espera para trabalharem juntos.

"O Roberto Carlos me fala: 'A hora que estiver cansado vem descansar aqui, toca de vez em quando, toca quando quiser'", contou o músico.

Caso a Globo o chame para trabalhar, Caçulinha afirma: "Depende do que vão me oferecer, lógico que volto, por que não?"

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