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Em meio às ruínas, restauradores do Museu Nacional destacam clima de otimismo

Ricardo Borges/Folhapress
Peça do Museu Nacional passa por restauração Imagem: Ricardo Borges/Folhapress

Sandra Carnota Mallón

No Rio de Janeiro

12/02/2019 16h27

Mais de cinco meses depois do incêndio de grandes proporções que devorou o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, os profissionais envolvidos no resgate das obras estão confiantes que será possível recuperar parte das coleções da instituição.

Com 200 anos de história, o museu mais antigo do Brasil - que abrigava 20 milhões de peças que datam de diferentes períodos - foi tomado pelas chamas no dia 2 de setembro do ano passado, acabando com registros da história do Brasil e um dos maiores acervos da América Latina.

Passados cinco meses, as portas do Museu foram abertas nesta terça-feira para que a imprensa pudesse ver de perto as obras de recuperação.

As fatalidades causadas pelo incêndio são incontáveis. No edifício há muitos escombros, vigas retorcidas pelas chamas, paredes derrubadas e diversas peças que estão sendo recuperadas e restauradas aos poucos.

O visual não anima, mas os funcionários do museu destacam que "já não predomina o clima de tristeza, e sim de alegria", já que "é possível recuperar mais peças do que se imaginava".

Luciana Carvalho é paleontóloga do museu e trabalha ativamente nos trabalhos de recuperação. Ela estava trabalhando na instituição no dia do incêndio e inclusive chegou a entrar em um dos edifícios para tentar salvar algumas peças. Embora as primeiras expectativas fossem muito ruins, ela explicou que "o clima atual é de alegria".

"Todos os dias as pessoas encontram algo novo e boa parte das coleções serão resgatadas", comentou à Agência Efe.

Mesmo assim, a paleontóloga ressaltou que se trata de um processo muito lento, já que o material está muito danificado e sensível. Há peças que ainda não puderam ser retiradas do museu para a restauração devido ao seu estado atual, por isso precisam ser tratadas onde estão.

Após o incêndio, o processo de recuperação é gradual devido à complexidade. É necessário estabilizar o edifício, retirar os escombros e evitar que a chuva provoque novos estragos.

Uma das arquitetas da obra, Janaína Genaro, também destacou que "o trabalho é muito detalhado e cuidadoso, desde a estabilização à retirada de escombros, entre os que há peças de enorme valor".

Cerca de 80 pessoas participam das operações de restauração, entre elas os funcionários do museu, que colaboram nos trabalhos de recuperação de maneira direta ou indireta.

O paleontólogo Sérgio Alex de Azevedo, que trabalhava em um dos laboratórios do museu antes do incêndio, explicou que após a tragédia os funcionários trocaram de função e passaram a fazer parte da equipe de restauração.

Azevedo afirmou que "a perda é incalculável", não só para o Brasil, mas para o mundo, e disse acreditar que as pessoas estão aprendendo as caraterísticas deste tipo de incidente.

"Quando as pessoas não sabem nada sobre incêndios, pensam que tudo queima junto e que o processo de recuperação é igual para todas as peças, mas não. Cada uma tem caraterísticas únicas, é um trabalho difícil", afirmou. 

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