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Exaltando Petrópolis, Vila Isabel promete voltar a ser competitiva

Eduardo Hollanda/Divulgação
Wilson Alves, o Wilsinho, diretor de Carnaval da Vila Isabel Imagem: Eduardo Hollanda/Divulgação
Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

do UOL

08/02/2019 04h00

Após quatro anos de afastamento, quando esteve na Viradouro e na União da Ilha, Wilson Alves, o Wilsinho, está de volta à Unidos de Vila Isabel. O ex-presidente da agremiação agora ocupa a direção de Carnaval da azul e branca e tem a missão de reconduzir a escola, três vezes campeã do Grupo Especial, aos primeiros lugares na classificação. Desde que foi campeã pela última vez, em 2013, a Vila sequer consegue voltar ao Desfile das Campeãs. 

Nesta entrevista exclusiva, Wilsinho fala sobre o trabalho de reaproximação da escola com a comunidade, tida como uma das mais bairristas e participantes do mundo do Carnaval. E dá detalhes sobre a preparação do desfile -preparado pelo carnavalesco Edson Pereira, campeão do Grupo de Acesso em 2018 com a Viradouro- sobre a cidade de Petrópolis.

UOL - Você está de volta à escola após quatro anos de afastamento. A Vila Isabel que você encontra hoje é muito diferente da que você deixou?

Wilson Alves - Bem diferente. Alguns setores da escola estavam um pouco distantes, havia uma certa dificuldade em chamar os componentes para vir. Ao longo do trabalho, agimos com muito respeito à comunidade e a resposta foi forte. Hoje, não temos mais nenhuma vaga para desfilar, e os ensaios estão cada vez mais animados. Reunimos os segmentos e estamos prontos para ser uma escola competitiva de novo. Esse é o nosso principal objetivo este ano: passar forte na Sapucaí. O resultado, a gente vê. O trabalho é a longo prazo, para voltar a disputar título.

Sendo bastante realista, o objetivo em 2019 é voltar entre as seis primeiras?

Não tenho dúvida que temos Carnaval para disputar o título. Temos vários quesitos fortes. Mas, pensando em uma retomada a longo prazo, a volta no Desfile das Campeãs é o primeiro degrau.

A escola modificou bastante o seu time para esse ano e, dentre as mudanças, repatriou o intérprete Tinga e promoveu o mestre de bateria, Macaco Branco. O objetivo era reconquistar a comunidade?

As contratações foram muito boas. A escola foi buscar os melhores profissionais disponíveis. Temos o Macaco Branco, que tem história na escola, já foi diretor de tamborim e do carro de som. É músico de grandes artistas e assumiu a bateria fazendo um trabalho de reconstrução de identidade. Ele fez vários ritmistas antigos voltarem e deu cursos quase individuais com os componentes, atualizando e preparando. O Tinga é fundamental nesse processo de autoconhecimento da escola. Ele é a voz da Vila e um dos mais conceituados intérpretes do Carnaval. Contratamos o Edson Pereira, que está em uma fase maravilhosa. Tudo que ele faz é muito bonito, de muito bom gosto. Ele soube respeitar a comunidade, em relação ao peso das fantasias, a volumetria, material, mas sem perder o luxo. Trouxemos de volta o Patrick Carvalho [coreógrafo da comissão de frente], que foi Estandarte de Ouro na Tuiuti, e que está seguindo uma linha de trabalho que vai dar certo.

O que vocês buscam com o enredo sobre Petrópolis?

A Vila se dá muito bem com enredos nacionais e históricos. Acho que o Edson foi muito feliz em colocar a figura da princesa Isabel em destaque na narrativa, o que traz mais identidade ao nosso componente. Afinal, o bairro tem o nome dela.

O enredo tem patrocínio?

Ainda não. Negociações ainda estão em andamento. Falta pouco para o Carnaval, mas temos esperança.

Como está a preparação do barracão?

A maior dificuldade é você fazer todo um planejamento e, no meio do processo, descobrir que terá R$ 1 milhão a menos. Está sendo mais difícil tocar os últimos 45 dias do que os oito meses anteriores. Estamos finalizando um pouco mais devagar do que gostaríamos, mas grande parte da escola está pronta. Estamos buscando pequenas parcerias no mercado para sanar as últimas despesas pontualmente. 

Por conta dos cortes de verbas, o que foi modificado em relação ao projetado originalmente?

Nas fantasias não mexemos, mas as alegorias foram readequadas. Alguns efeitos especiais foram retirados. Não é o projeto original, mas as modificações não vão atrapalhar no impacto do desfile.

Você acha que esse será um Carnaval em que o visual não seja tão preponderante?

Acredito no equilíbrio. Em um bom samba, bom canto, boa bateria, a comunidade que sustente. E isso nós temos. Mas também não vale a pena deixar de lado o espetáculo e vir com uma alegoria inacabada. A criatividade dos carnavalescos fará a diferença. O Edson está tirando leite de pedra, usando material alternativo. Ele sabe trabalhar com orçamentos menores, por ter vindo do Grupo de Acesso. Mesmo assim, estamos em um ritmo bom. Acho que uma semana antes do Carnaval estaremos com tudo pronto.

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