Copa do Mundo 2018

Do cadarço ao chip: veja a evolução das bolas da Copa do Mundo

Arte Estúdio Teca/BOL
Imagem: Arte Estúdio Teca/BOL

Juliana Dutra

Do BOL, em São Paulo

06/06/2018 07h55

A Copa da Rússia estreia a Telstar 18, uma bola tecnológica que é capaz de se comunicar com celulares e já está dando o que falar entre os goleiros, por ser escorregadia e "móvel demais". Dá para acreditar que, até 1982, as bolas ainda eram feitas de couro legítimo e pesavam um absurdo quando ficavam molhadas? Conheça a seguir a evolução das bolas da Copa ao longo do tempo.

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    Uruguai (1930): Tiento

    No início, as bolas eram muito pesadas porque eram feitas de couro legítimo. Em 1930, foram usados dois modelos. T era uruguaio, amarrado por cadarços, e um pouco menor e mais leve que Tiento, o modelo argentino, sem cadarços. Na final entre os dois países, quando ambos queriam jogar com as respectivas bolas, a solução foi usar uma para cada tempo: o modelo argentino no primeiro e o uruguaio, no segundo. O curioso é que os países se deram melhor ao jogar com a bola de sua seleção e o Uruguai tornou-se campeão.

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    Itália (1934): Federale 102

    A bola Federale 102 apareceu inaugurando as quartas de final da Copa da Itália, em 1934. O modelo tinha 12 gomos e deixava à mostra as marcas de costura, feita a mão, mas dessa vez os laços que a amarravam eram de algodão, o que tornava a experiência menos dolorosa. O controle de qualidade era complicado, pois, infladas manualmente, era difícil mantê-las uniformes. Com ela, a Itália venceu a Tchecoslováquia por 2 a 1.

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    França (1938): Allen

    Na Copa da França, em 1938, a bola utilizada foi a Allen, que tinha um formato ligeiramente mais arredondado, mas isso também dependia de quem a inflasse, já que o controle de qualidade ainda não era preciso e, portanto, a trajetória da bola sofria alterações. Sua coloração era um pouco mais escura, pois o couro era produzido por fornecedores locais franceses.

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    Brasil (1950): Duplo T

    A primeira Copa do Mundo após a Segunda Guerra Mundial trouxe algumas novidades, entre elas um sistema menos inconsistente de inflar a bola, por meio de uma válvula. A Duplo T foi fabricada no Brasil pela empresa Superball, tinha 12 gomos e revolucionou com seu formato, pois suas costuras eram internas, dando um fim aos cordões aparentes. O bico também foi colocado para dentro da bola, dando um aspecto mais arredondado. Foi com ela que o Brasil sofreu a inesquecível derrota na final para o Uruguai.

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    Suíça (1954): Swiss World Champion

    O chamado "padrão Fifa" foi inaugurado no país sede da federação. A Swiss World introduziu o formado de 18 gomos com marcantes costuras em ziguezague feitas a mão. A cor amarelada da bola tinha a intenção de melhorar a visibilidade em campo. Seu modelo se aproximava das bolas atuais e a estrutura principal foi mantida até 1966.

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    Suécia (1958): Top Star

    O primeiro título do Brasil (por 5 a 2 contra a Suécia) foi disputado com uma bola escolhida entre 102 candidatas por meio de um concurso internacional. A Top Star inaugurou os 24 gomos e também foi a primeira a ter costuras invisíveis. Uma camada de cera envolvia a bola para torná-la um pouco mais resistente à água, o que a deixava menos pesada.

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    Chile (1962): Mr. Crack

    Apesar de trazer boas memórias de segundo título para os brasileiros, a Mr. Crack foi uma dor de cabeça para os jogadores, especialmente aqueles acostumados com as evoluções da Top Star. O modelo voltou a usar 18 gomos, considerados irregulares, e a cor amarela descascava durante as partidas. Para piorar, em dias de chuva, encharcava, precisando ser substituída diversas vezes.

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    Inglaterra (1966): Challenge 4-Star

    Escolhida em um teste cego, a Challenge 4-Star foi produzida pela empresa inglesa Slazenger, a última fabricação realizada antes da escolha de uma patrocinadora oficial. A bola de 25 gomos era de couro como suas antecessoras e lembrava uma bola de vôlei.

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    México (1970): Telstar

    Após sorteios, a estreia da Adidas como patrocinadora trouxe para a Copa do Mundo o padrão fundo branco com pentágonos pretos das bolas que conhecemos hoje. O motivo era sair bem na TV, já que foi a primeira Copa a ser televisionada. Até mesmo o nome, Telstar, fazia alusão a esse fato inédito, significando "Estrela da Televisão". O modelo tornou-se tão icônico que a Rússia decidiu revitalizá-lo em 2018.

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    Alemanha (1974): Telstar Durlast

    O modelo de 32 gomos (formado por 12 pentágonos e 20 hexágonos) da Copa anterior fez tanto sucesso que, na Copa da Alemanha em 1974, foi pouco modificado. A diferença foi um aumento na resistência à água, além de uma versão especial toda branca (Chile Durlast) para a final.

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    Argentina (1978): Tango

    Em homenagem ao estilo musical argentino, a bola Tango trouxe 20 painéis com tríades que criavam um efeito visual de 12 círculos. Sua popularidade foi tanta que acabou inspirando o visual de suas sucessoras.

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    Espanha (1982): Tango España

    A Tango España foi a última bola a ser produzida em couro legítimo. O modelo se assemelhava ao de sua antecessora, devido a sua popularidade, mas evoluiu na resistência à água, sendo o primeiro a ter costuras seladas impermeáveis de poliuretano. A novidade não era muito durável ao impacto dos chutes nas partidas, resultando em frequentes reposições.

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    México (1986): Azteca

    Em 1986 foi criada a primeira bola de material sintético, marcando o fim da utilização do couro, o que significava mais leveza e um formato mais resistente aos chutes. Azteca era de poliuretano e reduzia os deslizes da bola em campo, trazendo mais controle. Em relação à aparência, mais uma vez a Adidas fez referências ao país anfitrião, trazendo tríades marcadas por grafismos em homenagem ao povo asteca.

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    Itália (1990): Etrusco Único

    A bola sintética de 32 gomos também trazia em sua capa interna a espuma de poliuretano e de neoprene, para ser impermeável. A tendência de homenagear a nação foi mantida, primeiramente no nome, uma referência ao povo que vivia na Etrúria, onde hoje é a região da Toscana, depois em sua aparência, pois trazia um desenho de três cabeças de leão, típicos da história italiana.

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    EUA (1994): Questra

    Com 32 gomos e revestimento de espuma de poliuretano, a Questra trouxe câmara de ar em látex, propiciando mais elasticidade e proteção antifuro, além de mais suavidade nos toques e velocidade em chutes. O nome inspirou-se no termo em inglês "quest for the stars" ("busca pelas estrelas", em tradução livre) e tentou trazer um aspecto futurista e espacial. A bola ganhou três versões para outros campeonatos.

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    França (1998): Tricolore

    A Tricolore foi a primeira bola a ser multicolorida, homenageando a França com as cores da bandeira do país e trazendo um galo, animal símbolo da seleção francesa. Com 32 gomos e sintética, a bola tinha espuma de microcélulas enchida por gás, o que a tornava bastante durável e com impacto distribuído no momento do chute.

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    Coreia do Sul e Japão (2002): Fevernova

    A primeira Copa do Mundo que aconteceu em dois países ao mesmo tempo foi uma das mais experimentais em questões técnicas e de aparência. Após o sucesso das cores da Tricolore, o modelo asiático inovou com uma estampa bem diferente dos formatos geométricos que fizeram sucesso anteriormente. Fevernova foi também uma das mais leves e bastante criticada por ser difícil de controlar.

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    Alemanha (2006): Teamgeist

    Teamgeist, em alemão, quer dizer "espírito de equipe". Na Copa da Alemanha de 2006, todas as bolas traziam informações da partida, como nome do estádio, data e as seleções. O modelo, que inaugurava a ausência de costuras, tinha 14 gomos unidos a alta temperatura e era de uma leveza única, o que também não agradou a todos. Na final, foi apresentada uma versão especial em dourado, chamada "Teamgeist Berlin".

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    África do Sul (2010): Jabulani

    "Jabulaaaani", como diria Cid Moreira, está no coração dos memes da Copa até hoje. Seu nome significa "celebração" na língua sul-africana banta e as cores representam as 11 tribos que formam a nação. A origem das inúmeras brincadeiras sobre ela estava em sua dificuldade de ser defendida e a trajetória irregular. Tudo isso porque seu modelo foi projetado com 8 painéis, sendo bem arredondado e leve em campo, o que representou o pesadelo dos goleiros, que não conseguiam defender, e dos atacantes, que não conseguiam controlar o chute.

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    Brasil (2014): Brazuca

    A bola da Copa do Brasil, em 2014, que trouxe a histórica derrota do 7 x 1, foi a primeira que teve o nome escolhido por voto popular. Brazuca venceu "Bossa Nova" e "Carnavalesca". Outros nomes que foram cogitados na época foram "Samba" (seguindo a referência usada na bola argentina Tango) e "Gorduchinha" (uma homenagem ao narrador Osmar Santos). Em relação à tecnologia, a bola não possuía costuras, sendo unida por um processo de calor, o que trazia maior leveza, e era ainda mais arredondada do que Jabulani, tendo apenas 6 painéis. Ao contrário da antecessora, o modelo foi bem aceito e aproveitado em outros campeonatos.

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    Rússia (2018): Telstar 18

    Lançada em novembro de 2017, a bola da Copa de 2018 é um remake do modelo clássico que fez muito sucesso nos anos 70, com melhorias como a ausência de costuras e a tecnologia do chip NFC (uma sigla que significa "Comunicação por Aproximação de Campo"), que permite conexão e interação com smartphones. Por exemplo, é possível saber informações importantes de arbitragem, como a posição exata da bola. Apesar de parecer ter os 32 painéis tradicionais, ela tem apenas 6, como a brasileira. Porém, diferentemente da bola da Copa do México de 1970, a Telstar russa sofreu críticas de goleiros por ter uma película de plástico difícil de ser agarrada. Veja vídeo com detalhes da bola e testes. Leia mais

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