Carnaval 2018

Na Unidos da Tijuca, Laíla poderá resgatar tradição de grandes sambas

Bruna Prado/UOL
Desfile da Unidos da Tijuca no Carnaval 2018 Imagem: Bruna Prado/UOL
Anderson Baltar

Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

29/03/2018 10h04

Um namoro iniciado logo após o último Carnaval terminou em casamento nessa quarta-feira. Após deixar a Beija-Flor de Nilópolis ainda durante os festejos do título, o dirigente Laíla acertou sua transferência para a Unidos da Tijuca, onde integrará a Comissão de Carnaval já formada por Annik Salmon, Marcus Paulo e Hélcio Paim. Ainda fará parte do time o carnavalesco Fran-Sérgio, que conquistou oito campeonatos na Beija-Flor ao lado de Laíla e, no último ano, estava na Unidos de Vila Maria, em São Paulo.

Apesar de criado no Salgueiro e de ter sua imagem vinculada após três passagens pela Beija-Flor – a última durou 23 anos – Laíla tem história na Unidos da Tijuca. Entre os Carnavais de 1980 e 1983, comandou a então pequena escola do morro do Borel. Com seu trabalho, a azul e amarela voltou ao Grupo Especial após 21 anos de ausência e firmou-se entre as grandes, com desfiles marcados com sambas-enredos de alta qualidade, como “Macobeba” (1981).

A Unidos da Tijuca que Laíla encontrará é bem diferente. Hoje é uma escola grande, competitiva e técnica, que procura defender bem os quesitos. De uma certa forma, o modelo de desfile competente da Tijuca foi inspirado no trabalho que Laíla desempenhou com maestria por tantos anos na Beija-Flor. O canto forte da comunidade, treinado e lapidado incessantemente por várias madrugadas em Nilópolis garantiu vários campeonatos à azul e branca e tornou-se um paradigma a ser perseguido pelas concorrentes.

A Tijuca, com toda certeza, é uma das escolas que melhor bebeu nesta fonte. Todavia, a mesma Tijuca que seguiu os ensinamentos de Laíla vem pecando em um quesito crucial – o mesmo que a Beija-Flor dificilmente erra: samba-enredo. Se, nos tempos em que era coadjuvante, a azul e amarela sempre nos brindava com um ótimo hino, depois que tornou-se competitiva, a qualidade das obras decaiu vertiginosamente, com sambas genéricos que apenas servem de trilha para os enredos.

Uma estratégia que se mostrou vitoriosa, mas que demonstra, para a tristeza dos apaixonados pelo gênero, que o samba-enredo hoje já não é tão preponderante para a vitória de uma escola. A retomada da tradição de grandes sambas da escola tijucana - esta é a maior expectativa para a nova missão de Laíla. Que o competente trabalho de harmonia já cristalizado na agremiação se case com o tino do diretor em buscar o melhor do samba-enredo. Compositor, cantor e produtor do CD das escolas de samba há muitos anos, Laíla levará para a Unidos da Tijuca a sua verve obsessiva em ter à sua disposição um grande samba-enredo. Caso tenha êxito, será um dos mais importantes serviços prestados pelo veterano sambista ao Carnaval carioca.

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