Carnaval 2018

Carnaval 2018

Com 4 escolas entre favoritas, apuração do Carnaval de SP começa às 16h

Simon Plestenjak/UOL
Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Do UOL, em São Paulo

13/02/2018 12h47

A briga pelo título do Carnaval de São Paulo deve ficar entre Império da Casa Verde, Mocidade Alegre, Vai-Vai e Dragões da Real. Outras duas escolas, Acadêmicos do Tatuapé e Rosas de Ouro, correm por fora. A apuração do desfile paulistano começa às 16 horas (acompanhe no Placar do BOL). 

A Tricolor Independente, que fez a sua estreia no grupo especial, tinha tudo para iniciar em grande estilo seu desfile na elite do samba paulista, mas o filme de terror do enredo acabou virando pesadelo na vida real da escola.

O elemento da comissão de frente quebrou e teve de ser rebocado por uma empilhadeira. O uso de equipamento estranho ao desfile levou a escola a perder 1,2 ponto, e o incidente ainda pode comprometer as notas de harmonia, evolução e alegoria, apesar de a agremiação ter terminado o desfile dentro do tempo máximo de 65 minutos.

As favoritas

Império fugiu das homenagens tão presentes no Carnaval deste ano e se inspirou na Revolução Francesa e no musical "Os Miseráveis". Na Avenida, passaram a riqueza dos fidalgos e as mazelas do povo. O luxo e o cuidado com fantasias e alegorias, marcas registradas do carnavalesco Jorge Freitas, estavam presentes em todos os carros.

A comissão de frente surpreendeu ao decepar a cabeça do bobo da corte (representante do povo) -- o efeito deu muito certo na avenida. O abre-alas mostrou cavalos gigantes com movimento, baile da nobreza… Mas a alegoria seguinte já destacava a pobreza. No quarto carro, as atenções se voltaram para a escultura de um elefante imponente, representando a Bastilha.

Em sua homenagem à cantora Alcione, a Mocidade Alegre dividiu seu desfile entre a vida da artista e São Luís do Maranhão, cidade natal da Marrom. Chamou a atenção pelas alegorias, fantasias e, como sempre, empolgou o público com as paradinhas coreografadas da bateria do mestre Sombra.

O colorido na avenida ficou por conta das fitas, santos e culinária --fazendo referência à cultura local da cidade. A parte musical do desfile foi marcada por algumas alas musicais e um carro com sósias de Alcione e amigas, como Maria Bethânia, Leci Brandão e Nara Leão -- a artista mesmo veio no último carro.

Mais um pouco da história do Brasil veio com a apresentação da Vai-Vai. Porta-bandeira com referências a Nossa Senhora, alas de cardeais, freiras, freis e até pagador de promessas, no enredo em homenagem a Gilberto Gil.

O samba-enredo não falava de Gil, propriamente, mas das letras de suas canções. A vida do artista foi retratada em alas e carros, como o do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Destaque também para o carro do exílio. Ratos, urubus, caveiras faziam referência ao horror vivido pelo cantor.

O desfile da Dragões da Real não foi surpresa para muitos. Afinal, a escola, que foi vice em 2017, tem feito belas apresentações em busca do título inédito. Mas buscar é uma coisa e conseguir é outra.

Além de ter um dos melhores sambas desse ano, para homenagear os sertanejos, a Dragões levou para a avenida plantações, criações de galinha e famílias caipiras, em um enredo de fácil identificação com o público.

A história contada na comissão de frente teve continuação no abre-alas, com encenação de uma típica família sertaneja. Sérgio Reis veio ali, no alto, tocando o berrante e ouvindo os gritos do público. Roberta Miranda, outra sertaneja de peso, marcou presença em outro carro. O show teve direito a festa de São João e quadrilha com casamento e tudo!

Na luta pelo bi

Grandiosa, colorida, feliz e com acabamento impecável, a Acadêmicos do Tatuapé chegou ao Anhembi com todos os requisitos para disputar o bicampeonato. Homenageando o Maranhão, a escola, campeã de 2017, fez paradinhas e paradonas, provando que os componentes estavam afinadíssimos com o samba.

A agremiação da zona leste mostrou as belezas da fauna e da flora do Estado, mas também as mazelas da época da escravidão, as tradições religiosas e o folclore da região.

Rosas de Ouro complicou o páreo levando para o sambódromo a vida dos heróis das estradas, os caminhoneiros. Na comissão de frente, a cena da mulher e do filho à espera do pai, que viaja pelas curvas do Brasil, refletiu a realidade de quem vive pelas estradas.

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Anderson Baltar

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Unidos da Tijuca quer voltar a ser campeã com Comissão reforçada

Uma das escolas que mais evoluíram nos últimos 20 anos no Carnaval carioca, a Unidos da Tijuca demonstra estar de volta à briga do título. Após o acidente no desfile de 2017 e de um Carnaval de entressafra em 2018, a azul e amarela trouxe como reforços para o seu barracão o diretor de Carnaval Laíla e o carnavalesco Fran Sergio. Eles se juntaram à Comissão de Carnaval formada por Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo, que já vinha trabalhando na agremiação desde os tempos em que o desfile era comandado por Paulo Barros.  Com a nova composição, a Comissão ganha a junção de duas filosofias que renderam campeonatos: a modernidade e leveza da Tijuca e o luxo e densidade dos desfiles da Beija-Flor. A mistura, à primeira vista inusitada, de acordo com os carnavalescos, dará certo na Sapucaí. A Tijuca, que encerrará o desfile de domingo, trará o enredo "Cada macaco no seu galho. Ó, meu Pai, me dê o pão que eu não morro de fome!", sobre toda a importância do pão no contexto histórico, religioso e social ao longo da trajetória da humanidade. Para saber mais detalhes do Carnaval da escola, conversamos com Annik, Fran Sergio, Hélcio e Marcus. Confira: Anderson Baltar: Como surgiu a ideia do enredo? Annik: A gente já tinha a vontade de fazer um enredo que tocasse as pessoas e tivesse uma mensagem emocional, de amor. Recebemos um e-mail com a sugestão de um enredo sobre o páo. Só que a proposta era de um enredo histórico. Gostamos da ideia de usar o pão como pano de fundo para o nosso enredo, mas usar para falar do momento atual do país e do mundo, da falta de amor e de companheirismo e da intolerância política e religiosa.  A Tijuca tinha uma linha de Carnavais, desde Paulo Barros. E Laíla e Fran vieram da Beija-Flor com outra proposta. Qual será o estilo de desfile? Leve e alegre que nos acostumamos ou um pouco mais clássica? Marcus: Um pouco dos dois. Tanto para nós quanto para eles é um estilo diferente de enredo. E tudo se encaixou perfeitamente.  Fran Sergio: Todos tínhamos a vontade de fazer um enredo com essa pegada. Vai se criar uma nova forma de desfile. O samba já mostra isso. É uma outra Tijuca que irá para a avenida.  Teremos alegorias humanas? Annik: Sim! Fran Sergio: Teremos a alegria e a leveza da Tijuca, mas a pompa e o luxo dos bons tempos da Beija-Flor.  Marcus: Você vai falar que não é Beija-Flor, nem Tijuca. É uma nova forma de Carnaval. Hélcio: Queríamos fazer um enredo mais humanitário e ter um grande samba. Era uma deficiência da escola. Apesar de cantarmos muito, batíamos na trave. O trabalho do Laíla aprimorou muito a qualidade dos sambas e fomos muito felizes porque tivemos uma final com quatro grandes obras. Estamos apostando no trabalho de barracão e no samba, que já foi abraçado pela comunidade. Fran Sergio: O Laíla é um grande mestre e está com sangue nos olhos, com vontade de ser campeão. E, a despeito de toda experiência,  a mente dele é mais jovem que a nossa. Annik: Quando estamos desanimados, ele vem e nos incentiva.  O que podemos saber desde já do que será mostrado na avenida? Fran Sergio: Contaremos a história do pão, não só o alimento, mas o pão material, espiritual e social. Falaremos do início do pão, das primeiras civilizações que o desenvolveram. Temos uma parte religiosa, mostrando o pão da vida. Enfocaremos a era das revoluções, surgidas por conta da falta do "pão", mostraremos a chegada do alimento ao Brasil, dos negros nos tumbeiros vindo para cá à base de pão e água. E terminamos com uma crítica social, a toda essa desigualdade e intolerância. Se cada um fizer sua parte, ou seja, cada macaco estiver no seu galho, teremos um mundo melhor.  Vivemos a pior crise financeira da história do Carnaval. No que vocês apostaram para diminuir os custos? Hélcio: O presidente pediu para não tivermos excessos e desperdício. Vamos trabalhar bastante com materiais alternativos. Fran Sergio: Tem muita palha, capim. As roupas não são muito grandes, porque queremos que a escola evolua  e cante muito. E também diminuímos um setor: ao invés de seis carros, desfilaremos com cinco. Marcus: Fizemos também um trabalho grande de pesquisa de materiais. Fomos em São Paulo procurar e conseguimos muita coisa a um preço bem mais baixo. Hélcio: O corte mais sensível na estrutura é o de uma alegoria. Temos uma ala a menos do que ano passado. Não podemos prejudicar a qualidade do espetáculo.  2018 foi um ano de transição. Para 2019, podemos considerar a Tijuca de volta pra briga, mesmo desfilando no domingo? Annik: Sem dúvida. Inclusive, a Tijuca já foi campeã desfilando no domingo.  Fran Sergio: E ainda vamos encerrar o desfile. Eu, particularmente, adoro. Ganhei alguns Carnavais na Beija-Flor nesta posição de desfile. 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