Carnaval 2018

"A crise é financeira, mas não intelectual", diz carnavalesco da Mangueira

Rafael Lopes

Colaboração para o UOL, no Rio

13/02/2018 11h41

A Estação Primeira de Mangueira levou para a Avenida Marquês de Sapucaí, na primeira noite de desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, um boneco do prefeito Marcelo Crivella representado como um judas para ser malhado. Abaixo do boneco, a frase: "Prefeito, pecado é não brincar o Carnaval!" decorava um tripé.

Em conversa com o UOL, o carnavalesco Leandro Vieira explicou que dinheiro não determina a qualidade do desfile das escolas de samba e independentemente da postura da Prefeitura do Rio, o Carnaval seguirá sua história.

“Claro que é importante, estamos falando de uma atividade milionária e que movimenta milhões da economia da cidade, ou seja, só por isso mereceria investimento. Mas merece investimento primeiro, porque desfile de escola de samba é cultura popular e o Estado tem que fomentar a cultura, mas o dinheiro não determina a qualidade do que será feito. Nessas quatro noites de desfiles o que se viu é que faltou dinheiro, mas não faltou criatividade. A crise é financeira, mas não é intelectual ou artística. Existe um potencial artístico muito grande no Rio de Janeiro para produzir Carnaval e vamos seguir produzindo independente de quem queira diminuir a festa.”

“Ele [Crivella] não pôde contra os blocos de rua e não poderá contra as escolas de samba. O Carnaval vai seguir em frente e ele [Crivella] ficará para trás, passará”, concluiu o artista, que ainda falou sobre a importância da autonomia.

“Tenho a felicidade de trabalhar com um presidente (Chiquinho da Mangueira) que me dá liberdade, que é o que todo artista precisa para desenvolver o seu trabalho. A matéria do meu trabalho é a subversão. Sou um artista que produz Carnaval. E Carnaval é uma farra, uma brincadeira com uma pegada política, de sátira. É a possibilidade de você combater, denunciar, mas com leveza e alegria. Repercutir assuntos importantes com humor, o que estava meio escasso nas escolas e resolvi trazer isso de volta. Espero que a repercussão e o sucesso do desfile reforcem ainda mais a importância dessa liberdade e a necessidade do que o Carnaval precisa”, afirmou Vieira.

Na manhã da última segunda-feira (12), a prefeitura do Rio de Janeiro, por meio de uma nota oficial da Riotur, lamentou "a falta de respeito e a ofensa gratuita da Mangueira" e destacou que, a despeito da crise econômica que a cidade enfrenta, foram investidos quase R$ 80 milhões no Carnaval.

A decisão criativa foi do carnavalesco Leandro Vieira, que teve total liberdade dentro da escola. "Foi a resposta para ele repensar o que fez com o Carnaval. Cometeu a maior injustiça com a maior festa popular do mundo, que é o Carnaval. E a Mangueira se propôs a se rebelar contra isso tudo. E foi isso que você viu aí", disse o presidente da escola, Chiquinho da Mangueira.

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