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Chanceler erra ao dizer que satélites detectam fogueira como queimada

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Imagem: Arte/UOL
do UOL

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

13/09/2019 16h26

O chanceler Ernesto Araújo afirmou hoje, em reunião com investidores em Washington, nos EUA, que os satélites que captaram o aumento dos focos de incêndio na Amazônia também captariam "fogueiras de acampamento". A fala, entretanto, não tem qualquer respaldo científico.

Segundo o coordenador do Lapis (Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite), Humberto Barbosa, "o que diferencia não é o tamanho da queimada, mas a alta temperatura". "É como um GPS, a precisão é muito alta", diz.

Se fosse verdade, por exemplo, a noite do dia 23 de junho de cada ano teria um enorme número de incêndios captados, por conta da tradição das fogueiras no Nordeste, onde se comemora com festa e fogo a véspera do Dia de São João. Entretanto, há estados da região que não registraram nenhuma queimada durante todo o mês de junho neste ano, o que invalida a hipótese levantada por Araújo.

Além disso, Barbosa afirma que não se trata apenas de uma satélite. São vários os que orbitam a Amazônia e fazem as medições. Isso explica por que os dados da Nasa (a agência espacial norte-americana) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) coincidem ao apontar agosto como o líder em queimadas desde 2010.

"É algo bem complexo de explicar, mas não é só um satélite, são vários e com diferentes resoluções espaciais e temporais. Eles se validam mutuamente, o que reduz muito a possibilidade de erros. Um satélite com resolução espacial menor (de 1 a 3 km) confirma o que apontam satélites de alta resolução (de 30 a 500 metros)", explica.

Segundo ele, com o aumento de resoluções das imagens nos últimos anos, os dados se tornaram ainda mais confiáveis. "Tem outras variáveis [além de satélites], como refletividade, coberturas. É metodologia validada há mais de 30 anos e que o Ibama sempre utilizou para suas fiscalizações", completa.

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